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Sector da alimentação tira partido da tecnologia

O comércio electrónico está em expansão em Angola. Empresas de vários sectores apostam agora na criação de aplicativos e plataformas para exporem e comercializarem os seus bens e serviços, não dependendo unicamente das lojas físicas.

O comércio electrónico está em expansão em Angola. Empresas de vários sectores apostam agora na criação de aplicativos e plataformas para exporem e comercializarem os seus bens e serviços, não dependendo unicamente das lojas físicas.
A empresa angolana Tupuca, por exemplo, criou o primeiro aplicativo (com o mesmo nome) de entrega de comida ao domicílio. Na sua base de dados, congrega mais de 30 restaurantes espalhados pela província de Luanda.
Segundo o presidente do Conselho de Administração da Tupuca, Erickson Mvezi, o projecto foi lançado há nove meses e já tem uma boa aceitação no mercado.
“Começamos primeiramente com o município de Belas, e agora já estamos no município de Luanda, e pretendemos chegar até à centralidade do Kilamba”, revela.
O gestor explica que, com a Tupuca, o cliente pode visitar onde quer que esteja, mais de dez restaurantes por minutos a partir de um aplicativo instalados em “smartphone”, sendo que brevemente estará disponível também a versão para computador.
Desde que está no mercado, a Tupuca já distribuiu mais de 50 mil refeições e movimentou cerca de 70 milhões de kwanzas no primeiro semestre do presente ano.
Segundo Erickson Mvezi, no mês passado, a empresa teve uma facturação de 20 milhões de kwanzas.
“Pensamos que iremos ultrapassar no presente mês a contar com o número de pedidos que temos diariamente que rondam os 120 a 150”, salienta.
O gestor refere ainda que a empresa tem como objectivo capitalizar o forte de cada restaurante, onde o cliente tem opção de escolher o que lhe convier. “Damos oportunidade a pequenos e grandes restaurantes para que numa mesma plataforma possam apresentar o que de melhor dispõe da sua ementa, desde hamburguer a sushi, e temos sido bem sucedidos porque há estabelecimentos comerciais na nossa base de dados que facturam mensalmente cerca de
quatro milhões de kwanzas”.
O seu foco é virado para todas as faixas etárias, independentemente da nacionalidade. Por isso, o cliente tem a oportunidade de quando fazer o pedido, consultar o preço e sugerir o tempero a ser usado, acrescentado o valor de 500 kwanzas na entrega.
A empresa gerou o primeiro emprego directo a 60 jovens. Erickson Mvezi conta que mais de dezenas de pessoas são cadastradas por dia no aplicativo Tupuca e que estrategicamente a equipa de “moto-boy” está posicionada para minimizar o tempo de entrega.

Agricultura na Internet
Além dos alimentos já confeccionados, os produtores agrícolas renderam-se também ao comércio electrónico. E na liderança está certamente a Fazenda Girassol que, fundada há mais de 12 anos e líder em qualidade na área das hortofrutícolas, abriu um espaço no seu sítio electrónico e criou uma aplicação (disponível desde Fevereiro)
para entrega ao domicílio.
Tanto no sítio electrónico como na aplicação, a Girassol exige o carregamento de um saldo mínimo de 7.500 kwanzas, por meio de pagamento por referência no Multicaixa. Há ainda a possibilidade de carregar o saldo por meio de depósito ou transferência bancária. Depois disso, é só escolher os produtos e formar um cabaz. Por exemplo, uma embalagem de quatro unidades de banana no sítio electrónico da fazenda Girassol,
chega a custar 145 Kwanzas.
Maria Engrácia mora no Kilamba e há muito tempo que não consegue se deslocar ao mercado do Quilómetro 30. Soube da aplicação da Girassol e se registou. Fez o pagamento do saldo e cerca de duas horas depois teve na sua conta o carregamento do valor correspondente. Na terça-feira, entrou na aplicação e escolheu cerca de 10 produtos agrícolas de que necessitava para o fim-de-semana. De acordo com a agenda da empresa, as entregas para as encomendas feitas na terça-feira são feitas na quinta-feira. Contudo, no dia combinado, Maria chegou tarde à casa. Devido ao engarramento e como não havia ninguém em casa não recebeu o seu cabaz, o que complicou o seu fim-de-semana.
A empresa explica que o horário de entrega dos cabazes compreende-se entre 8 e 16h. E devido à variação do número de encomendas diárias e respectivos percursos, não se compromete com um horário fixo para entrega, pois os clientes devem assegurar que, na morada de entrega, será possível a recepção da encomenda dentro deste horário. Maria reconhece a falha, pois tratava-se da primeira vez que usava o serviço, mas garante que vai continuar a suar e dar melhores instruções à empregada doméstica
para recepção dos produtos.
A empresa, que possui na província de Luanda um centro logístico para processamento e controlo de qualidade dos produtos e dois pólos de produção com áreas ao ar livre e em estufas, garante as entregas com uma moderna frota de distribuição com veículos refrigerados, com capacidade de manter a frescura dos produtos até ao consumidor.