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Projecto fortalece economia nacional

Três dias após o lançamento do primeiro satélite angolano o Angosat-1, as reacções de pessoas ligadas aos vários campos do saber continuam a se fazer sentir.

Três dias após o lançamento do primeiro satélite angolano o Angosat-1, as reacções de pessoas ligadas aos vários campos do saber continuam a se fazer sentir.
Fernandes Machado é engenheiro electrotécnico há cerca de 37 anos e fez parte da equipa que lançou o primeiro satélite português na década de 90.
Para o especialista, o lançamento do Angosat-1, numa altura em que o país ressente ainda os efeitos da crise financeira provocada pela baixa do preço do petróleo no mercado internacional, espelha o esforço e visão estratégica do executivo angolano na busca por fontes para a diversificação da economia e na melhoria da qualidade dos serviços oferecidos à população.
Fernandes Machado não tem dúvidas em como o Angosat-1 será mais uma alternativa ao petróleo na captação de divisas, considerando que a sua cobertura não será limitada ao continente africano, mas também parte da Europa.
Outra das grandes vantagens avançada pelo engenheiro é o facto de as empresas sedeadas em Angola poderem efectuar os pagamentos na moeda nacional, evitando-se assim a saída de divisas.

Recuperar o investimento

Em relação ao período apontado para a amortização do investimento, o engenheiro é de opinião que, caso não haja factores desviantes, os prazos e metas serão certamente cumpridos. Enfatiza que os dados que têm sido tornados públicos pelo sector das telecomunicações são bastante elucidativos em relação aos cálculos.
A escolha do parceiro russo atesta uma grande visão e conhecimento do mercado uma vez o parceiro de ocasião “Rússia” ser um país com um forte potencial do ponto de vista técnico-científico, tratando-se de uma potência no que diz respeito ao desenvolvimento de satélites, e que está mesmo no topo da lista de preferências.
Fernandes Machado adverte que ao olharmos para os 15 anos de operacionalidade do satélite, devemos buscar o binómio “custo-benefício” e não “tempo-custo”.
Um outro assunto que tem suscitado debates no seio da população é a possível queda nos preços dos serviços de telefonia, televisão e internet.
Em relação ao assunto, o especialista adverte que para que a anseada redução dos preços se efective, é necessário que o trabalho de casa seja correctamente executado.
“O ideal seria termos por um lado o AngoSat-1 a funcionar em pleno e por outro lado termos uma rede de electrificação com uma cobertura nacional aceitável”, esclareceu.
Durante os 15 anos de funcionamento, o satélite terá garantida energia para o seu funcionamento, ao passo que as operadoras de telefonia móvel e outros serviços associados, enfrentam sérios problemas com cortes constantes no fornecimento de energia, recorrendo as fontes alternativas.
Neste particular, destacou, por exemplo, os grupos geradores a diesel, com as manutenções requeridas e alto consumo de combustível que acabam por pesar no preço ao consumidor final.
Segundo o especialista, resultados positivos são sempre consequência de projectos bem estruturados de forma integrada.

Impacto económico

Do ponto de vista económico, segundo a visão do especialista, o Angosat-1 vai dar visibilidade ao mercado angolano, ao mesmo tempo que permitirá a entrada de outras operadoras de telefonia móvel e serviço de internet no mercado, propiciando a criação de centenas ou mesmo milhares de postos de trabalho e a redução dos custos associados ao serviço.
Por outro lado, adivinha-se ainda o crescimento do mercado de equipamentos electrónicos, pois que a melhoria da qualidade dos serviços de internet estimulará com certeza a compra de equipamentos tecnicamente mais desenvolvidos, abrindo assim espaço para uma competição acirrada pela maior fatia de mercado por parte dos agentes económicos do nicho.