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Programa "Angola Investe" não atingiu os objectivos

O programa “Angola Investe” coordenado pelo Ministério da Economia e Planeamento operado pelos bancos comerciais nacionais faz parte do leque de projectos que fracassaram, cuja intervenção serviu para beneficiar muita gente que hoje não consegue provar aonde meteu os fundos alocados para o investimento.

O programa “Angola Investe” coordenado pelo Ministério da Economia e Planeamento operado pelos bancos comerciais nacionais faz parte do leque de projectos que fracassaram, cuja intervenção serviu para beneficiar muita gente que hoje não consegue provar aonde meteu os fundos alocados para o investimento.
A denúncia é do empresário e presidente da Associação dos Empreendedores de Angola (AEA), Jorge Baptista. Em entrevista ao JE assegura que o programa pode ser reabilitado de modo a torná-lo mais eficiente e proactivo.
Reconhece que um dos grandes desafios do actual governo é não permitir que os vícios se mantenham na economia porque o país pode continuar a perder dinheiro.
Neste particular, o programa de Governo do MPLA 2017-2022 prevê ampliar o escopo e a capitalização do fundo de garantia de crédito e da linha de bonificação de juros através do programa “Angola Investe”, de modo a financiar pelo menos 400 projectos.
O Governo pretende estimular a produção nacional que nesta componente engloba incentivos ao cooperativismo e dinamização dos sectores de bandeira.

Falência da banca
Jorge Baptista afirma que a banca não existe e é um factor chave para alavancar os negócios. “Como é possível um país possuir cerca de 27 bancos e todos eles quase falidos e a operarem ainda no mercado?”, questiona.
Para o empresário, não se pode voltar a inventar créditos às quais não se sabe do seu destinos e ninguém diz nada. Exemplifica ainda que o Projovem e outros são prova disso e do disperdício de recursos financeiros.
“O país precisa de accionar o crédito para acelerar a retoma económica. Se abrirmos as fronteiras para o mercado da SADC, temos que ter empresas com capacidade de vender os seus produtos na zona de comércio livre sem sobressaltos”,
adverte o empresário.
Jorge Baptista considera ainda que 2018 é um ano de afirmação para o Presidente da República, João Lourenço e que não se pode aferir os 100 dias de governação sem o conjunto do ano inteiro, “e acredito que boas novas virão para o país”.
Sublinha ser essencial que o sistema financeiro passe a conceder mais créditos ao sector privado se quisermos desenvolver e diversificar a economia.

Imediatismo empresarial
Por sua vez, o empresário Gentil Viana assegura que o imediatismo empresarial e a busca do lucro fácil são os piores inimigos da diversificação económica.
Defende a promoção de uma mentalidade empresarial estruturante, na qual a dimensão do que se edifica assente
em fundações profundas.
“Enquanto não tivermos a paciência de construir em profundidade e executar tijolo a tijolo a maturação dos nossos projectos, continuaremos a comprar dos outros sem ter nada para lhes vender”, disse.
Na visão do empresário, António Henriques da Silva, o ambiente de negócios em Angola vai depender das novas medidas que estão a ser tomadas e sobre tudo naqueles sectores de grande relevância, mas cuja burocracia é excessiva.
“É urgente o credito à economia, mas os critérios de adesão devem ser transparentes para permitir o retorno
e não serem fundos perdidos”, disse.
Realçou que o financiamento externo pode ajudar na recuperação da economia, basta que sejamos sérios na sua aplicação.
Defende que Angola deve olhar para parceiros internacionais em função dos interesses e aqueles que respondem às reais
necessidades do mercado.
Para Afonso Hossi, os sectores como a agricultura, agro-pecuária, indústria e o comércio livre são decisivos
nesta fase da economia.
Por isso, diz ser necessário mais incentivos à classe empresarial, de modo a assegurar os empregos. “Precisamos de dar um basta à importação de bens e apostar na produção local sem receio”, alerta o empresário
da província do Huambo.
Afonso Hossi frisou não ser aceitável a constante falta de combustível que tem inviabilizado vários projectos empresariais.