Capa

Prazo de validade nos rótulos

Cidadãos reagem às denúncias de colocação de produtos com prazos de validade vencidos nas prateleiras de muitos supermercados. Para eles, falta é o hábito de controlo da caducidade do que se compra

A existência de produtos vencidos e em má conservação vendidos em alguns dos principais supermercados da capital do país aumentaram significativamente, um sinal de alerta aos consumidores que diariamente entram e saem.
Na nota de imprensa a que o JE teve acesso, a cadeia de supermercados Kero destaca-se entre os estabelecimentos de comércio e prestação de serviços fiscalizados pelo Instituto Nacional de Defesa do Consumidor (INADEC) no I trimestre, na sequência de denúncias e reclamações dos clientes.
Entre os problemas encontrados pelos fiscais nos supermercados Kero destacam-se a falta de certificados de qualidade alimentar, má conservação dos produtos, falta de asseio e higiene, produtos comercializados fora do prazo de validade, mistura de bens alimentares com produtos químicos e má arrumação das mercadorias.
No mês passado, as reclamações dos clientes levaram a que a administração municipal de Cacuaco suspendesse a actividade comercial do supermercado do grupo Shoprite, localizado no bairro Baixa Vidrul, por expor na loja mais de 20 produtos com prazos vencidos.
No supermercado Shoprite a fiscalização constatou que toda humidade produzida nos balneários chegava até ao armazém onde estão as mercadorias, facto que torna o problema muito mais sério.
Por essa razão, a equipa do JE saiu à rua para medir o grau de preocupação dos consumidores e constatou que, apesar das reclamações, boa parte dos entrevistados não tem o hábito de conferir prazos de validade, nem tão pouco a composição dos produtos que adquire.
Para Lídia Lemos, por exemplo, a mudança do comportamento do consumidor, em denunciar e reclamar sempre que encontrar alguma irregularidade é fundamental para que tenhamos uma mudança de postura e comportamento por parte dos fornecedores também. “Não é possível que a vida, a saúde e a segurança do consumidor continuem a ser colocadas em risco com a exposição de produtos impróprios para o consumo nas prateleiras dos
supermercados” afirmou.

Mauro Ferreira
Relações internacionais
Sou de opinião que A fiscalização não deve só ficar à espera da reclamação do consumidor. se eles fizessem bem o seu trabalho teríamos evitado muitas situações. sou chefe de família e confesso que estou bastante preocupado com isso. O executivo precisa agravar as sansões para este tipo de caso

Antónia Piedade
Assistente de recursos humanos
Nós os angolanos também somos culpados por essa situação. não somos exigentes e às vezes até penso que o cliente só quer saber de preços baixos. levam os produtos principalmente os da promoção sem ao menos se informar dos prazos e o estado de conservação

Terêncio Prata
Técnico de vendas
para mim para combater esse paradigma,passa por acabar com a corrupção. Já trabalhei em supermercados, às vezes os próprios fiscais acabam por ser corrompidos. deixam passar situações inadmissíveis e no final das contas quem paga é o consumidor

Lídia Lemos
Secretária
È um atentado à nossa saúde, mas isso é um assunto recorrente. nós não temos muito cuidado com os produtos que chegam ao nosso país. penso que se a fiscalização começasse pelos fornecedores teríamos produtos com melhor qualidade e em melhor estado de conservação

Patrícia Fernandes
Enfermeira
Eu não sei até que ponto o consumidor angolano está protegido para estar descansado quanto aos produtos alimentares que chegam ao país

Deolinda Tânia
Estudante
Acho que isso já é um assunto muito sério. tenho ouvido as reclamações na televisão e penso que é necessário também que ao passarem a notícia especifiquem os produtos