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Os países vão transcionar produtos sem barreiras

O economista e docente universitário Francisco Vunge considerou oportuno o acordo de livre comércio entre os países africanos rubricado nesta quarta-feira em Kigali, capital do Rwanda, por mais de 40 países membros da União Africana.

O economista e docente universitário Francisco Vunge considerou oportuno o acordo de livre comércio entre os países africanos rubricado nesta quarta-feira em Kigali, capital do Rwanda, por mais de 40 países membros da União Africana. Em declarações ao JE, o economista assegurou, que doravante os países membros vão tranzaccionar produtos e serviços deixando para trás as barreiras aduaneiras que dificultavam este importante salto económico que vai conferir dinâmica e crescimento ao continente africano.
Questionado sobre as possíveis dificuldades no arranque do processo que vai aguardar pela aprovação das respectivas assembleias nacionais, o economista considerou normal, pois, estamos diante de uma nova realidade económica. No entanto, considera a medida a mais acertada embora tardia.
Quanto aos produtos que Angola pode transaccionar numa primeira fase o economista apontou o minério, as terras aráveis a altura de produzir em grande escala, a curto e médio prazos, assim como o comboio para escoar a produção da vizinha república da RDC e Zâmbia . Quanto à visita do primeiro-Ministro de Espanha a Angola, o responsável considera oportuna, idependemente do início desta nova era entre os africanos. Espanha está entre os países que reconheceu a independência de Angola e nova era entre os africanos não pode de forma alguma beliscar os nossos interesses com este importante parceiro económico. As nossas relações com parceiros económicos como Estados Unidos da América e China só para citar, não podem ser interrompidas, pois, estes detêm linhas de financiamento, tecnologias e conhecimento que muito precisamos para o crescimento económico desejado.

Produção interna
Para a economista Mpangui Luvumbo, a redução substancial das taxas alfandegárias, assim como a intenção de industrializar os países africanos, de modo particular Angola, será impulsionada com os acordos rubricados. Por outro, o país poderá exportar numa primeira fase o sal, os produtos do mar assim como o potencial turístico se for feito investimento neste segmento.

Ganhos visíveis
O especialista em Relações Internacionais, Wilton Micolo considera que a visita do primeiro-ministro de Espanha, Mariano Rajoy vem reforçar as intenções de proximidade e de reforço da cooperação que foi manifestada ainda no ano passado com a visita de enviado espanhol e da visita do actual presidente João Lourenço ao Reino de Espanha (na qualidade de ministro da defesa ainda).
“A Espanha e sem dúvida uma potência e pode por via desta visita viabilizar linhas de investimento em sectores chaves para o nosso embrionário e deficitário processo de diversificação económica”, assegura.
O docente universitário acredita igualmente que a Espanha poderá ser uma boa opção como parceiro comercial, para sectores como agricultura que tem um bom nível de desenvolvimento e industrialização, serviços, desenvolvimento do sector farmacêutico a julgar pelas indústrias que possui, e acima de tudo para formação de quadros, máquinas e equipamentos que são essenciais no nosso processo de crescimento.
O empresário Bartolomeu Dias disse que Angola poderá começar com vantagem a implementação da Zona de Livre Comércio Continental, por se situar numa zona geograficamente privilegiada e ter infra-estruturas de transporte quase concluídas.
Explicou que um dos assuntos em debate no fórum como condição para a existência do Livre Comércio Continental é a criação rápida de infra-estrturas de apoio ao movimento de mercadorias e pessoas.
“Nós temos alguma vantagem, agora resta aos empresários angolanos se adaptarem ao novo figurino dessas transformações do comércio no continente. Deixem de ter apenas projectos domésticos e pensem nos arredores (outros países)”, aconselhou.