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Nova era nas trocas comerciais em África

Angola foi o quarto a assinar e desde a última quarta-feira que África adoptou uma Zona de Livre Comércio. Na capital do Rwanda, Kigali, os estadistas de 44 dos 55 países da União Africana assinaram o acordo.

Angola foi o quarto a assinar e desde a última quarta-feira que África adoptou uma Zona de Livre Comércio. Na capital do Rwanda, Kigali, os estadistas de 44 dos 55 países da União Africana assinaram o acordo.
Antes do Presidente João Lourenço, os presidentes do Níger, Mahamadou Issoufou, do Tchad, Idriss Déby, e do Rwanda, Paul Kagame, assinaram os três instrumentos jurídicos do acordo: o da Zona de Livre Comércio, da Livre Circulação de Pessoas e a Declaração de Kigali, respectivamente. Contudo, para que a Zona de Livre Comércio comece a vigorar é necessário que metade dos parlamentos dos países que o assinaram ractifiquem este instrumento.

Afirmação económica
A propósito, e numa intervenção anterior, o ministro do Comércio de Angola, Jofre Van-Dúnem Júnior, disse, em Kigali (Rwanda), que a África tem, com a assinatura do acordo da Zona de Livre Comércio Continental, uma grande oportunidade de se afirmar economicamente.
O ministro angolano, que falava a jornalistas no intervalo do Conselho Executivo da União Africana, fez saber que, devido a este facto, os participantes estão com muita vontade de criar as bases para transformar a África num continente bom para se viver.
“Esta é a grande oportunidade de a África se afirmar, de ter uma voz única e acho que não vamos perder esta oportunidade”- realçou Jofre Júnior.
Manifestou a esperança de que, depois da assinatura do acordo, se possam dar passos consistentes para que as populações africanas comecem a caminhar para a sua independência económica.
Em relação a questão se Angola tem as condições reais para implementar o acordo, o ministro afirmou: “Nós não podemos dizer que as condições são totalmente reais. Nós temos que as construir, onde elas não existem nós temos que trabalhar para encontrar o caminho certo”.
Neste sentido, destacou haver ainda muito trabalho para que a zona seja uma realidade.
Jofre Van-Dúnem Júnior alertou para o facto de a criação desta comunidade estar a provocar alguns “ciúmes” em organizações económicas fora de África e que podem influenciar negativamente a implementação do acordo.
Contra tal situação, evocou a vontade de os africanos quererem ser independentes economicamente e aproveitarem fazer história. “Temos que mudar a História”.
Este ponto de vista de Jofre Júnior já tinha sido realçado pela ministra dos Negócios Estrangeiros do Rwanda, Louise Mushikiwabo, na abertura do Conselho Executivo da União Africana: “Estamos ansiosos por marcar a diferença na história do nosso continente”.
Na sua intervenção, Louise Mushikiwabo bateu-se em argumentos para incutir nos participantes um posicionamento a favor da entrada em vigor do acordo o mais breve possível, por depender da ractificação dos parlamentos de 22 a 15 países da organização.
Não se trata apenas de um simples documento, mas de aspectos com implicações económicas sérias para as populações africanas, reflectidas no bem-estar dos povos e no incremento dos postos de trabalho que se ganham com a diversificação económica – referiu.
Recentemente, a presidente do Comité Representativo Permanente da UA, Hope Tumukunde Gasatura, afirmou que o estabelecimento da ZLEC é uma prioridade política essencial para a liderança da União Africana, e um projecto emblemático da Agenda 2063” da organização.
Sublinhou que sem a ZLEC, a retórica da integração económica e da unidade africana continuará vazia e prejudicará a credibilidade da organização aos olhos dos seus cidadãos, que gostariam de ver benefícios tangíveis do processo.
Em Janeiro deste ano, o ministro das Relações Exteriores de Angola, Manuel Augusto, tinha felicitado, em Adis Abeba, os líderes africanos pela aprovação do Relatório sobre a Zona de Livre Comércio em África.
Na altura, Manuel Augusto anunciara que muito brevemente o continente africano iria implementar esse “importante mecanismo”, para melhorar a circulação de pessoas e bens.
Um dos assuntos em debate no fórum como condição para a existência do Livre Comércio Continental é a criação rápida de infra-estrturas de apoio ao movimento de pessoas emercadoria.
No fórum empresarial participam mais de 200 empresários que, em painéis, têm interagido com presidentes da República, ex-presidentes, responsáveis de organizações económicas e outras figuras de renome continental, tais como o Presidente do Zimbabwe, Emmerson Mnangagwa, e o ex-líder da Nigéria Olusegun Obasanjo. A abertura foi feita pelo Presidente do Rwanda, Paul Kagame.