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Missão lusófona em Angola

Uma missão empresarial da Câmara Agrícola Lusófona (CAL) da CPLP chega hoje (sexta-feira) à Luanda para uma visita de sete dias. O grupo de homens de negócio da CPLP considera ainda que a integração beneficiará assim de tarifas preferenciais e de incentivos à industrialização ao abrigo da estratégia 2015-2063 da comunidade SADC.

Uma missão empresarial da Câmara Agrícola Lusófona (CAL) da CPLP chega hoje (sexta-feira) a Luanda para uma visita de sete dias. Segundo o programa que o JE teve acesso, a comitiva de empresários manterá contactos com os agentes económicos ligados ao agro negócio com destaque a uma visita ao parque industrial do Cuanza Sul.
Esta iniciativa, segundo o documento chegado da redacção do Jornal de Economia & Finanças, decorre no âmbito do Programa de Internacionalização da CAL para o sector do Agronegócio comparticipado parcialmente pela União Europeia, através do “Portugal 2020 e Compete 2020”.
“Angola é um parceiro maior cuja importância tenderá a ser alargada através da CPLP, da União Europeia e organizações regionais que os respectivos países integram”, lê-se no documento.
A nota acrescenta que Portugal é o 8º maior cliente das exportações angolanas, sendo igualmente um fornecedor importante com 15 por cento de quota de mercado (ITC, 2017).
A reciprocidade nas relações comerciais e diplomáticas tem sido um caminho por vezes tortuoso, mas o desafio global que ambos os países enfrentam será certamente um estímulo para o aprofundamento da colaboração futura.
O documento enfatiza ainda que, a economia angolana sofreu uma acentuada desaceleração com a depreciação do preço do petróleo desde 2014. De facto, desde 2015 o crescimento do PIB situa-se em 1,5 por cento, um acentuado contraste com o crescimento de 10,3 alcançado entre 2004 e 2014.
“Por isso, a previsão é de recuperação para 2017 e 2018, com 2,3 e 3,2 por cento. A economia não petrolífera parece agora ser uma aposta ainda mais evidente, como forma de aumentar a resiliência da economia angolana para o desenvolvimento inclusivo dos seus quase 29 milhões de habitantes (60por cento em zonas rurais) (2016) (Banco Mundial, 2017)”, acrescenta a nota.

Nova era
O grupo de empresários da CAL assegura que, o recentemente empossado Governo eleito em Agosto 2017 por 9,3 milhões de eleitores enfrenta desafios importantes, a nível interno reduzindo a dependência de petróleo, melhorando a capacidade institucional e condições de vida da população.
Assim, a nível externo, os empresários consideram que Angola vem desempenhando há já algum tempo um importante papel na pacificação da região, aplicando com eficácia sanção económica e política aos grupos rebeldes da região.
A presença portuguesa no mercado angolano é muito relevante quer no papel de fornecedor de importações (22 por cento do valor importado agroalimentar, 1º fornecedor), como ainda no papel de investidor (maior número de projectos desenvolvidos). Note-se que nos produtos agroalimentares, a quota de mercado portuguesa tem-se mantido estável (2012-16), o que evidencia uma preferência pelos produtos portugueses.
Essa preferência deve ser cuidada e acompanhada para dar resposta à constante evolução da procura dos consumidores, facto evidenciado pelo reforço das importações com origem na África do Sul (3º fornecedor) que integra a zona de comércio livre da SADC (Southern African Development Community) – a qual Angola conta integrar brevemente à semelhança de Moçambique.
O grupo de homens de negócio da CPLP considera ainda que a integração beneficiará assim de tarifas preferenciais e de incentivos à industrialização ao abrigo da estratégia 2015-2063 da comunidade SADC.

Resistir a crise
Alguns produtos resistiram melhor à retracção do mercado angolano, é o exemplo das exportações de lacticínios e ovos, carne (ex-carne de porco e galinha) e peixe congelados. Salienta-se também o bom desempenho das bebidas e enchidos em particular da cerveja.
No que respeita à procura a única categoria de produtos do sector agroalimentar que regista aumento no valor importado ao longo dos últimos cinco anos é a dos sub-produtos da indústria alimentar para rações, indiciando uma aposta na actividade pecuária de modo a satisfazer as necessidades em proteína de uma população cada vez mais urbanizada e com pouco acesso aos meios de produção.
Alguns produtos resistiram melhor à retracção do mercado angolano, é o exemplo das exportações de lacticínios , ovos e carne.

Agenda
Consta na agenda de visita, audiência com o Ministro da Agricultura e floresta, Marcos Nhunga e com o PCA da Aipex. Licínio Contreiras. Visitas à Refriango e ao supermercado Kero. Deslocação ao parque industrial do Cuanza Sul, ao Pólo Industrial de Lucala, à cooperativa dos criadores de gado de Camabatela.