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Medidas do Comité de Política Monetária ajustam-se aos desafios da banca

A mais recente reunião do Comité de Política Monetária do Banco Nacional de Angola (CPM/BNA) trouxe consigo decisões tidas por cruciais, atendendo o momento da economia nacional. Entre as várias decisões, o órgão que apoia nas decisões do governador do banco central, reduziu o coeficiente das reservas obrigatórias em moeda nacional dos bancos comerciais junto deste. O docente e economista Paulo Ringote entende que esta decisão do BNA deverá em primeira instância libertar meios monetários e aumentar a capacidade de os bancos comerciais concederem mais créditos à economia. Para aquele experimentado “homem das contas”, a medida vai fazer com que os bancos procurem rentabilizar os seus depósitos junto dos clientes.

A mais recente reunião do Comité de Política Monetária do Banco Nacional de Angola (CPM/BNA) trouxe consigo decisões tidas por cruciais, atendendo o momento da economia nacional. Entre as várias decisões, o órgão que apoia nas decisões do governador do banco central, reduziu o coeficiente das reservas obrigatórias em moeda nacional dos bancos comerciais junto deste. O docente e economista Paulo Ringote entende que esta decisão do BNA deverá em primeira instância libertar meios monetários e aumentar a capacidade de os bancos comerciais concederem mais créditos à economia. Para aquele experimentado “homem das contas”, a medida vai fazer com que os bancos procurem rentabilizar os seus depósitos junto dos clientes.

A redução do coeficiente das Reservas Obrigatórias em moeda nacional de 21 para 19 por cento e manter inalterada a taxa de juros da Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez que vantagens reais dá à banca e à economia no geral?
Em primeiro lugar é necessário recordar que o Banco Central, a par da tarefa que tem de assegurar a preservação da moeda nacional e garantir a estabilidade dos preços e do sistema financeiro nacional, tem igualmente o dever de colaboração com os demais órgãos do Executivo, no alcance dos objectivos mais gerais da política económica, no caso, tendo em linha de conta o Plano de Desenvolvimento Nacional 2018-2022.
A redução do coeficiente das reservas obrigatórias para os níveis referidos, configura uma medida expansionista da política monetária, visando libertar meios monetários ao sistema bancário e aos bancos comerciais, para que estes possam aumentar o crédito que concedem à economia. Esta medida e o referido objectivo é reforçado com a decisão de reduzir a taxa de juro da janela de cedência de liquidez aos bancos comerciais de 20 para 18 por cento.
Dadas as estátisticas económicas, recentemente publicadas pelo Instituto Nacional de Estatística, que apontam para uma recessão de -2,5 por cento do PIB em 2017 e, a pesar de os bancos centrais caracterizarem-se por serem instituições conservadoras, há, todavia, a necessidade de colocar a política monetária no lado do arco do crescimento económico com estabilização. Assim, a combinação destas duas medidas garantirá, a libertação de meios monetários dos bancos comerciais, criando um excesso de depósitos junto aos mesmos, o que, combinados com a manutenção das taxas de juro do mecanismo de absorção destes excedentes pelo banco central, “forçará” os bancos comerciais a procurar rentabilizar os depósitos dos seus clientes, por via da concessão de mais créditos à economia, estimulando assim a produção e a oferta de bens e serviços, localmente produzidos.
Se a estas medidas nós adicionarmos a recuperação do preço do barril do petróleo, bem como o facto de o Executivo se ter financiado recentemente nos mercados internacionais, o que, reduzirá a procura interna de financiamento para cobertura das despesas orçamentais, então diremos, que os bancos comerciais poderão ser compelidos a aumentar o crédito à economia. Estes são os benefícios da combinação das medidas recentemente tomadas, crendo nós, serem também estes, os objectivos da autoridade monetária.