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Lumbo empreende

Elias Capita (29 anos) é um jovem empreendedor que conseguiu concretizar, o ano passado, o sonho de começar o seu próprio negócio na agro-pecuária, na aldeia do Nkumbo Liambo, 45 quilómetros da cidade de Cabinda, num espaço de 35 hectares.

A área pecuária tem 300 galinhas, 10 cabeças de gado bovino e 40 de caprinos. No sector da agricultura, dedica-se ao cultivo de feijão manteiga e catarino, batata doce, banana pão, de mesa e mandioca.
Elias Capita disse à reportagem do JE que no início da implementação do seu negócio encontrou dificuldades por falta de dinheiro, mas, com esforço próprio conseguiu avançar com a actividade agro-pecuária. Referiu que, fruto do seu optimismo, o negócio corre sem sobressaltos e com a estratégia montada, conseguiu uma colheita de 150 toneladas de produtos diversos
“Tivemos boas colheitas durante a campanha agrícola 2016/2017, porque vendemos bem. Este ano, queremos aumentar a nossa produção para ultrapassarmos a receita conseguida”, disse, afirmando que, com a montagem do seu negócio conseguiu garantir 10 empregos directos e outros indirectos na aldeia do Nkumbo Liambo onde desenvolve a actividade.
“Apelo a outros jovens que frequentaram o curso de empreendedorismo no Clese e que ainda não concretizaram o sonho, a terem força e coragem, porque para se atingir sucesso no negócio é preciso muita batalha, tendo em atenção, quatro aspectos que são os pontos fortes e fracos, as ameaças e oportunidades, para concretizar o objectivo de negócio”, referiu.
Leonor Emília, 38 anos, enfermeira, é uma outra jovem que também frequentou o curso de empreendedorismo, no Clese, disse que, depois de ter concluído a formação, teve dificuldades em abrir uma farmácia por falta de financiamento.
“Foi difícil criar este negócio, porque, a princípio, a política do Clese era de que no final da formação, os nossos projectos seriam financiados pelo Banco Sol, no âmbito da parceria existente entre as duas instituições. Concebi um projecto de uma farmácia, mas, infelizmente não tivemos nenhuma resposta do banco e para não ficar parada abri um salão de beleza”, explicou.
Segundo ela, no início da actividade de cabelereira conseguiu arrecadar entre 80 a 100 mil kwanzas/dia, fazendo uma receita semanal de 560 mil. Adiantou que, com a crise financeira, as mulheres preferiram arranjar o cabelo em casa e por isso os rendimentos baixaram para 11 mil kwanzas/dia, o que está a afectar no crescimento do negócio.
Para Leonor Emília, apesar das dificuldades que enfrenta em abrir a farmácia, trabalha arduamente para manter o salão de beleza em pé. Mas o sonho de abrir uma farmácia continua de pé.
Já José Dilo, 41 anos, formado em gestão empresarial, apostou no sector agrícola, mais precisamente na comercialização de sementes hortícolas, como tomate, repolho, cebola, pimento, alho, que adquire a partir dos fornecedores do Congo Brazaville e RDC.
“Iniciamos o nosso negócio no ano passado e está a correr bem. Este ano tivemos uma receita avaliada em 500 mil kwanzas. Nesta estação de cacimbo, a actividade é rentável e vamos aproveitar neste período para aumentar as vendas. Já atingimos mais de 300 clientes. O nosso objectivo é fornecer aos nossos agricultores , sementes viáveis para continuar a cultivar”, disse.
Afirmou que o curso de empreendedorismo ajudou-o a ter uma visão ampla de elaborar um plano de negócios e aconselha os jovens que procuram emprego e não conseguem, a apostarem numa actividade comercial
para o sustento da família.

Centro de formação

Elias Capita, Leonor Emília e José Dilo, fazem parte de um grupo de 155 jovens formados no período 2014/2016, no Centro Local de Empreendedorismo e Serviços de Emprego (CLESE), que estão inclinados no ramo de negócios.
Segundo a directora Tshuca Alfonsina Dias, no ano passado, a instituição lançou no mercado, 18 empreendedores, sendo 11 homens e sete mulheres que estão a procura de financiamentos para avançar com os seus planos de negócio, nas áreas da indústria, comércio geral, agro-pecuária, serviços, hotelaria e turismo.
Para este ano, segundo avançou a directoa, o Clese pretende matricular mais jovens com a introdução de novos cursos, como informática, elaboração de plano de negócios e inglês, que iniciam já no próximo mês de Junho.
“O Clese tem uma parceria com o Banco Sol para facilitar o financiamento dos projectos de negócio dos empreendedores no final da formação. Vários projectos foram encaminhados para o Banco Sol para análise e aprovação.
“Temos a esperança que o banco vai financiar”, disse, sustentando que, a ideia da criação do Clese é de preparar jovens para o mundo dos negócios.
“Anteriormente as pessoas, principalmente os jovens, apresentavam aos bancos projectos incorrectos e sem nenhuma orientação bancária, o que dificultava os bancos comerciais a concederem créditos”, finalizou.