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Loja virtual já é um facto

A disseminação das novas tecnologias da informação, em geral, e da internet, em particular, está na base do surgimento de investidores interessados em explorar mercados diferentes dos habituais. É neste contexto que, aos poucos, vai crescendo o número de compradores em lojas virtuais, assim como os negócios angolanos que permitem aos clientes adquirir produtos disponíveis à distância de um clique.

A disseminação das novas tecnologias da informação, em geral, e da internet, em particular, está na base do surgimento de investidores interessados em explorar mercados diferentes dos habituais. É neste contexto que, aos poucos, vai crescendo o número de compradores em lojas virtuais, assim como os negócios angolanos que permitem aos clientes adquirir produtos disponíveis à distância de um clique.
Seja em sítios específicos, nas redes sociais ou em aplicativos, aumentam as ofertas de produtos e serviços online, que está a ser favorecida pelo engarrafamento que se regista na capital, já que se perde muito tempo ao se movimentar de um ponto para outro só para adquirir um bem ou serviço. Os utilizadores fazem um cálculo de custo/benefício do produto. Por exemplo, se gastamos 1000 Kwanzas em combustível desde a zona Sul ao Centro de Luanda numa deslocação à loja física, podemos pagar o mesmo valor pela entrega gratuita de item online e assim evitarmos os engarrafamentos.
É o que acontece com a Baobabay, uma plataforma de comércio electrónico do grupo MDC. A loja online Baobabay, que revela receber cerca de seis mil pedidos diários, cobra 1000 Kwanzas pela entrega de bens como livros e telemóveis, e 2000 Kwanzas pela entrega de eletrodomésticos como gileira, ar-condicionados ou televisores,
sendo este o valor mais alto.
Segundo revelou ao JE fonte da empresa, os pedidos atingem o seu ponto alto nos sábados. “Oferecemos uma gama de produtos de qualidade a preço acessível”, diz, acrescentando que tal se justifica o facto de a sua loja “ser um lugar ideal de compras”.
Criado em Agosto de 2015, a loja Baobabay faz parte do grupo empresarial Yewhing Comércio & Indústria, criado em 2002, a qual pertence ainda o centro comercial Mundo da Casa (MDC), especializado na venda de mobiliário, artigos de decoração
e materiais de construção.
Além do acesso electrónico, as empresas angolanas de retalho na Internet, designadamente, Baobabay, Kaymu, Buedecompras, Kilapi, entre outras, têm todas contactos telefónicos para auxiliar nos pedidos, além dos aplicativos e o registo que algumas solicitam, de modo a facilitar toda a entrega com toda comodidade.
“Os mais recentes esforços têm sido concentrados em criar uma nova geração de plataformas que apostam na protecção ao consumidor, desde o primeiro clique até à entrega final. Em Angola, existe uma classe de consumidores cada vez mais conscientes e preocupados com a sua segurança”, diz Fátima Almeida, criadora da plataforma angolana de comércio electrónico, BayQi. Em entrevista ao Jornal de Angola, a gestora revelou acreditar num forte crescimento deste segmento de negócios no país.
A especialista defende a existência de um mercado melhor regulado com o objectivo de assegurar uma maior protecção do consumidor e torná-lo imune a fragilidades daí decorrentes.
Embora o envio do produto comprado online possa estar limitado a um horário de trabalho normal, uma loja virtual não ‘sofre’ deste constrangimento. O JE constatou ainda que grande parte das lojas online está aberta 24 horas por dia, sete dias por semana e 365 dias por ano, o que é uma vantagem acrescida para o negócio. Por outro lado, com os motores de busca cada vez mais precisos à disposição dos compradores, é mais fácil encontrar informação relevante (preço, modelo, tamanho, por exemplo), comparando preços de produtos idênticos ou similares.
A maior parte dessas lojas permite que seja feito o pagamento prévio, via transferência bancária, o método preferencial tem sido o pagamento com o cartão de débito (cartão multicaixa), deixando, assim, os compradores mais confiantes.
Neste quesito, a Baobabay diferencia-se por privilegiar o pagamento somente depois da entrega, tanto à vista como por meio do terminal de pagamento automático. Com entregas que vão de três a cinco dias, a empresa revelou ao JE que já detém centros para distribuição no Huambo, Benguela e Malanje, onde o envio normal vai de cinco a sete dias úteis.
O comércio electrónico sempre representou um desafio para os utilizadores angolanos. Desde as questões de segurança aos métodos de pagamento, vários obstáculos têm sido postos para que as vendas online não estejam tão difundidas em Angola, um país com cerca de cinco milhões de pessoas conectadas à internet.
Foi para resolver este problema que surgiu o Kwanza Online, primeiro serviço angolano de pagamento na Internet, permitindo aos angolanos fazerem compras em lojas nacionais de comércio electrónico. O promotor do projecto, o engenheiro Célio Garcia, conta que o projecto está parado por vazio legislativo.
“O nosso país ainda dispõe de métodos de pagamentos tradicionais e pelo que vejo a tendência está em melhorar esses métodos e não evoluir os mesmos. O Kwanza Online anda em coma, é assim que eu descrevo. Quando idealizei a mesma, foi com o objectivo de contribuir para o desenvolvimento na forma de pagar e receber dinheiro. Mas devido à legislação vigente no país que não acompanha a dinâmica e o desenvolvimento do mundo nesse sector, não é possível, por agora, avançar com este projecto”, disse.
Premiado em vários projectos, Célio Garcia explica que quando alguém cria uma loja virtual espera que todo o processo seja feito de forma virtual, obviamente com excepção da entrega do produto. “Os pagamento terão de ser feitos pelos métodos convencionais, o que oferece outras barreiras, tais como: ter uma conta bancária (empresa), o que não é nada barato quando se trata de uma startup. Em Angola, não existe separação de uma empresa e uma startup, daí, quando haver cobranças de requisitos, são
os mesmos para todos”.
Não tendo como avançar o Kwanza Online, o engenheiro dedica-se agora ao SuperKitanda, uma plataforma que permitirá agregar os supermercados num só local.
“Os clientes poderão fazer as suas compras a partir do smartphone ou computador”,