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Inquéritos não resolvem os problemas

O Instituto Nacional de Estatística (INE) está a realizar desde o início deste mês o Inquérito sobre Despesas, Receitas e Emprego de Angola (IDREA). Para os cidadãos ouvidos, estes inquéritos ajudam o Estado na tomada de decisão, mas precisam ser sentidos na vida diária.

A informação económica, que se produz em Angola, nos últimos 10 anos, através de jornais, revistas, programas de rádio e televisão, começa a ser mais próxima ao público, embora o custo para os títulos especializados impressos continuam a reclamar por um custo mais baixo.
Na opinião de estudantes e docentes universitários do curso de economia, as matérias económicas precisam mostrar a realidade nacional e local, com programas e opiniões que combinem academia com o interesse público.
No caso angolano, onde já proliferam títulos especializados e rubricas diárias sobre economia, há quem valorize o facto destes privilegiarem a educação e a cidadania, mas outros pedem que o custo dos jornais sejam mais acessíveis ao bolso do cidadão comum.
No levantamento feito pela nossa reportagem, os entrevistados reconhecem que há na actualidade muito mais familiariedade com os termos económicos, mas não deixam de pedir que se adequem a linguagem ao perfil do destinatário, que no caso angolano é heterogéneo e atende a diverisidade cultural da Nação.
A escritora e docente Yanai López entende que o jornalismo económico deve privilegiar a educação das comunidades, além de que os programas institucionais deverão também reforçar esses procedimentos.
“O jornalismo económico hoje preocupa-se menos com a explicação didáctica e em prestar serviços, sendo mais focado na conjuntura económica”, disse.
Numa perspectiva mais crítica, o docente assistente André Muta considera pouco atractiva a informação económica sob a visão académica.
“Para dominar-se os assuntos económicos é indispensável conhecer os mecanismos de funcionamento desta ciência”, cosidera.
De acordo com ele, os programas de televisão e rádio direccionados à economia deviam promover mais a classe média intelectual e não somente a alta. Dar primazia àqueles pouco conhecidos.
Os estudantes José Lisboa, do 3º Ano, e Isabel José, do 4º, também entendem que houve uma evolução no noticiário económico.
José Lisboa é quem quer jornais mais baratos e disponíveis em outros suportes.
Isabel José, por sua vez, foi quem fez o apelo para uma maior interação entre a academia e os profissionais da informação.