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Há cada vez menos divisas nas ruas da capital Luanda

A venda de divisas em alta escala no mercado informal, verificada no passado, parece continuar a reduzir a cada dia que passa.

A venda de divisas em alta escala no mercado informal, verificada no passado, parece continuar a reduzir a cada dia que passa.
A reportagem do JE foi às ruas da baixa de Luanda onde há ainda focos de mulheres reunidas com venda camuflada de resmas de papel, tinteiros ou bijuterias. A constatação é de que, apesar do câmbio continuar alto, com uma variação de 37 a 41 mil kwanzas por cada 100 dólares e 40 a 45 mil kwanzas por cada nota de 100 euros, é visível a carência na aquisição do mesmo.
É caso para se afirmar que as medidas do BNA para normalizar o sistema financeiro até ao momento estão a surtir os efeitos desejados.
Segundo as “kínguilas”, a procura pela moeda estrangeira ainda não melhorou, apesar de se ter sentido ligeiro desafogo.
“Hoje ainda conseguimos até 200 euros por dia, quando há três meses podíamos ficar dias sem nenhum”, disse Regina Mateus, kínguila há 7 anos, nas imediações da Mutamba.
O cenário é igual um pouco por toda parte, onde a maioria das kínguilas, como alternativa, optam por vender recargas telefónicas “ para não faltar o pão na mesa”, confessam.
Quanto à proveniência do pouco que conseguem, segundo as kínguilas, ainda continua a ser através de funcionários dos bancos comerciais.

BNA altera as regras
Arecente subida do limite máximo de venda de moeda estrangeira a cidadãos residentes cambiais para o equivalente a 8.000 euros (oito mil euros) por viagem, confirma a inversão dos níveis de procura de moeda externa, o que aponta para a pretendida normalização cambial.
O novo ajuste tem como objectivo conferir maior segurança e previsibilidade ao acesso à moeda estrangeira disponível, segundo um comunicado publicado pelo Banco Nacional de Angola na sua página de internet.
Desde 2014, em face ao ambiente sucessivo de crises económicas, que o limite de venda de divisas para maiores de 18 anos, vem sendo alterado, chegando a ser reduzido para 4.500 euros por ano. Os ajustes, até ao momento actual, passaram por uma redução de o equivalente a 10 mil dólares (2016), contra o equivalente a 15 mil dólares, antes da fase crítica que o país atravessa. Já antes desta alteração, até o início deste ano, os viajantes residentes cambiais só podiam comprar o equivalente a 500 euros por mês e 4.500 euros por ano, um valor que em nada bonificava a população em geral.
Consta, igualmente, do documento a recomendação do BNA de os bancos comerciais aderirem preferencialmente ao sistema de cartões de pagamento internacionais para a cobertura de despesas no exterior, bem como reitera a obrigatoriedade de conformidade sobre os limites globais anuais para operações cambiais de natureza privada.