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Feirantes da praça do Artesanato negam pagamento das bancadas

Alguns vendedores do centro de artes e mercado do Artesanato, na comuna do Benfica, em Luanda recusam-se a pagar a taxa de ocupação dos espaços por alegada falta de clientes aliada as péssimas condições que o local dispõe, segundo informou o administrador do espaço, Emílio Marcolino

Em entrevista ao JE o gestor garantiu que os faltosos devem efectuar os seus pagamentos num prazo de oito dias, caso não o fizerem lhes será retirada a titularidade do espaço. “São pagamentos desde o mês de Setembro a Dezembro do ano passado”, revelou.
O espaço recebeu os agentes económicos oriundos da praça do Benfica e albergou ainda metade das pessoas vindas do vulgo “mercado do choco”. O espaço está dividido por áreas como escultura de madeira, cestaria, trajes africanos, fatos de banho, gastronomia e dos quadros.
Realçou que no total são 329 vendedores e pagam semanalmente 350 kwanzas com excepção das áreas da cestaria e fatos de banho que desembolsam 300 kz/por semana. “Mas nem todos estão presentes, sobretudo a parte gastronómica porque tão logo receberam os lugares abandonaram por falta de clientes”, acrescentou.

Contradição
Emílio Marcolino desmentiu o mito segundo o qual não há clientes, explicando que “pode é não haver uma grande afluência de clientes como no antigo espaço, mas compradores há”. Sublinhou que feitas as contas o valor nem é oneroso e que por mês o montante fixado é de 1.400 kwanzas.  
Exemplificou que com apenas uma peça de arte vendida dá para cobrir essa despesa junto da administração do mercado, acrescentando que um porta-chaves custa 2 mil kwanzas. “Aonde está a dificuldade de  cumprirem com esta obrigação fiscal”?, questiona.
Fez saber que com estes constrangimentos no que toca a arrecadação de receitas não tem sido possível cobrir despesas do mercado e dos colaboradores que vai desde a limpeza com materiais gastáveis e salários do pessoal, por isso, é importante que as pessoas façam os pagamentos.  

Reclamações
O escultor, Peter Mapeloka, um dos mais antigos do mercado contou à nossa reportagem que as vendas estão péssimas e o espaço não oferece as condições de um verdadeiro centro e mercado de arte.
“A oficina de artesanato está mal feita, as casas de banho só começaram a funcionar a pouco tempo e quando chove a penetração de água danifica toda mercadoria”, atira.
Peter Mapoleka justifica a ausência de clientes por causa da distância em que foi construído o espaço, sendo o antigo melhor e rendia mais e dava para manter os pagamentos e sustentar a família.
Já o jovem Nelson Francisco não concorda com a atitude dos seus colegas. Avança que há clientes todos os dias “e posso facturar entre 20 a 30 mil kwanzas em função da peça”.
O artesão afirmou que a obrigação de pagar pelo espaço é de todos, mas infelizmente alguns preferem não o fazer por motivos de vária ordem.