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Falta de soluções de crédito específico dificulta iniciativas de negócio de jovens

Bancos comerciais mostram-se pouco atractivos em produtos e serviços para atrair este segmento cuja capacidade de empreender e fazer surgir novos e melhores empregos têm sido colacadas à prova

A imagem colonial do banqueiro “burguês” (pessoa já de certa idade e de elevada posse financeira) e que se distancia do convívio social de determinados grupos ainda persiste, apesar de em Angola este ter dado o lugar a bancários mais jovens e mais próximos do público, por sinal a sua massa de clientes em expectativa.

A maioria dos jovens que entrevistamos dizem haver pouca informação em relação à linha de crédito aprovada recentemente, pelo Executivo angolano, destinada a financiar projectos para jovens empreendedores, além de um pleno desconhecimento de produtos bancários específicos para os jovens.
Na visão destes jovens, estas barreiras, eventualmente, sejam os principais factores da baixa adesão dos jovens aos serviços, bancos e consequentes produtos neles disponíveis, aliados a uma certa elevada taxa de juros e exigência de documentação e garantias.
O empreendedor Josemar Chambassuco, engraxador de profissão, tal como outros, quer saber como conseguir empréstimo para diversas actividades comerciais. Há já longos anos dedicados à graxa (designação ao acto de limpar os sapatos através de pomadas próprias), ele acredita que as iniciativas do Governo são sempre boas, sobretudo porque os jovens querem mais atenção.
Já Luís Jorge, jurista, disse ter bastante confiança na adesão da mais recente linha de crédito, designada por Projovem. Tem um pequeno empreendimento. Contudo, tem tido inúmeros insucessos na hora de requerer um crédito bancário, devido ao excessos de documentos
exigidos pelos bancos.
“Os bancos têm muita burocracia para acesso aos créditos. Se não mandam arranjar avalista, mandam fazer uma hipoteca de imóveis, e nem sempre se consegue tais exigências. Logo, acabamos por desistir”, disse.
Por sua vez, Jilson Zamba, electricista, diz ter o sonho de abrir um estabelecimento onde possa exercer a sua profissão, mas como não tem capacidade financeira está de mãos atadas.
“Apercebi-me do crédito Projovem, através de pessoas que conversavam no táxi e fiquei muito interessado. Mas na verdade não sei onde nem como ter maior explicação sobre o assunto. Acho que o Governo tem que esclarecer melhor, dando palestras nas Universidades, pois é lá onde encontra-se o maior número de jovens”, sustenta.
A cabelereira, Maria Alfredo, à semelhança dos outros já recorreu aos bancos em diversas ocasiões, mas também foi sempre mal sucedida.
A verdade é que, actualmente, 30 bancos estão licenciados pelo Banco Nacional de Angola (BNA), dos quais dois aguardam início da actividade, designadamente o Banco da China Limitada - Sucursal de Luanda e o Ecobank de Angola.
Na pesquisa efectuada junto das páginas de internet de alguns bancos constata-se que até os mais tradicionais BPC, BCI, BFA e BIC, por sinal quatro dos maiores sete bancos angolanos, também pouco ou nada têm nas suas carteiras de produtos como soluções específicas para os jovens.
Há é sim no Banco Sol o produto “Crédito Universitário”, destinado ao financiamento da formação académica, mas de que se ouve pouco nos últimos dias. No BPC, onde também havia a solução “Crédito jovem”, estão suspensos os créditos até nova directiva do seu Conselho de Administração.
A expectativa do mercado é a de que o mais recente banco, o Postal, através do Xikila Money disponha de alguma solução específica, facto também ainda não confirmado pelos seus gestores.