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Falta de fábricas prejudica indústria

O Programa Nacional de Desenvolvimento (PND) elegeu como prioritárias a indústria de alimentos, bebidas, vestuário, calçado, materiais de construção, materiais metálicos e não metálicos, reciclagem e equipamentos de transporte.

O Programa Nacional de Desenvolvimento (PND) elegeu como prioritárias a indústria de alimentos, bebidas, vestuário, calçado, materiais de construção, materiais metálicos e não metálicos, reciclagem e equipamentos de transporte.
Alguns anos depois do lançamento da iniciativa do Executivo, a indústria transformadora angolana continua a apresentar índices de concentração excessiva na produção de bebidas e alimentação, representando mais de 70 por cento, e tal deve-se aos grandes investimentos dos últimos sete anos.
O sector chegou a crescer três por cento ao ano e era responsável, em 2015, por mais de 15 mil postos de trabalho directos para uma capacidade de produção instalada de quatro milhões 480 mil litros por dia, de acordo com a Associação das Indústrias de Bebida de Angola (AIBA). Contam-se já 41 empresas de bebidas, entre cerveja, água e refrigerantes.
Apesar de o Ministério da Indústria garantir que tem estado a apoiar as empresas industriais do país a superarem as dificuldades na importação de matéria-prima resultantes da escassez de divisas, as dificuldades que o sector atravessa já levou à saída de trabalhadores expatriados e com isso a uma redução de produção industrial desde o I semestre de 2016.
Entretanto, a titular da pasta, Bernarda Martins, depois de reconhecer que o país só substituirá a importação com a utilização da capacidade produtiva nacional e quando os produtos nacionais forem competitivos em qualidade e em preço, lembrou recentemente que o Plano Intercalar do Governo, cuja vigência vai de Outubro deste ano a Março de 2018, faz referência à produção de matérias-primas.
Bernarda Martins considerou a competitividade industrial como fundamental, mas que dependerá do enquadramento legislativo e das normas e procedimentos que serão aplicadas em matéria dos sistemas de licenciamento industrial, qualidade, normalização, certificação e acreditação, garantia da defesa da propriedade industrial e intelectual e do funcionamento eficaz da inspecção industrial.
O Plano Intercalar estabelece a utilização das capacidades instaladas pelo tecido industrial, priorizando as actividades que se inserem nas principais cadeias produtivas, com realce para a produção de materiais de construção, declarou.
Bernarda Martins recomendou às associações industriais e outras representações do empresariado a preocuparem-se com os inúmeros problemas e constrangimentos que as afectam e penalizam no dia-a-dia no contexto actual da sociedade angolana.
Entretanto, dados do relatório de fundamentação da proposta de revisão do Orçamento Geral do Estado (OGE) de 2016, indicam que, devido à quebra nas receitas com a exportação de petróleo, que agravou a crise económica, financeira e cambial do país, o sector da Indústria Transformadora angolana fechou 2016 com um desempenho negativo em 3,9 por cento comparando com 2015. Angola falha assim a meta que era chegar a 2017 com uma quota do sector da indústria transformadora no produto interno bruto de dez pontos percentuais.
Esta redução é justificada, segundo o documento a que o JE teve acesso, pela “elevada ociosidade da capacidade produtiva”, provocada “pela redução da força de trabalho expatriada”. A situação é “resultante da dificuldade das empresas obterem divisas para suportar o pagamento dos seus salários”, mas também pela “escassez de matérias-primas resultante da situação económica actual”, nomeadamente a falta de moeda estrangeira.
Entretanto, em entrevista ao JE, o Presidente da Associação de Empreendedores de Angola, Jorge Baptista, reconhece que, excepto a indústria de bebidas, a produção industrial continua bastante insipiente. “Não podemos falar da competitividade.É uma palavra que ainda não entrou nos ouvidos de muitos gestores da política pública do país; a competitividade é prioridade mas devido a factores diversos estamos muito aquém das metas preconizadas. Não há fábricas, então não há competitividade diversificada”, disse.