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Empreendedora inclina-se na produção de óleo de coco

Tânia Sebastião revela que a ideia do projecto resultou de uma determinação que depois de algum tempo decidiu fazer da sua convicção um negócio rentável que tem conquistado já muitos consumidores locais.

Versatilidade é a característica que melhor define o óleo de coco orgânico. O consumo de uma colher de sopa por dia pode ajudar no controlo da pressão alta, colesterol, acelerar o emagrecimento e ainda ser usado como hidratante corporal.

É desta forma exaustiva que a jovem empreendedora Tânia Sebastião falou à nossa reportagem sobre os benefícios do consumo do óleo de coco com a marca “Keren” que produz de forma artesanal em sua casa e que a cada dia que passa aumenta o número de consumidores.
“Este produto pode substituir o óleo e a manteiga na cozinha tanto na preparação de pratos doces como salgados”, exemplifica acrescentando que a ideia do projecto resulta de uma determinação e que depois de algum tempo decidiu fazer da sua convicção um negócio rentável.

Aposta
Tânia Sebastião revela que a ideia de investir na produção deste produto surgiu de algum tempo atrás enquanto residia na África do Sul. “Ao invés de usar o hidratante da pele normal (creme), preferia usar o óleo de coco e comecei a notar bons resultados quer na pele quer na alimentação”, explica.
Com os resultados que foi adquirindo recomendou o uso para outras pessoas que a questionavam também. Foi nesta altura que passou a investigar mais sobre o processo de produção e cuidados a ter até à sua comercialização.
“Quando regressei para Angola adquiri algumas máquinas para produzir o óleo e fui dando às pessoas mais próximas para experimentarem o produto, mas sobretudo para o uso estético”, conta.
Afirmou que ao longo do tempo percebeu que o óleo de coco, além do uso estético, traz benefícios à saúde e nutrição tendo em conta as proteínas como responsáveis para matar pequenas bactérias no organismo.
Acrescenta que o consumidor de orgânico é exigente, quer ter a certeza do que está a comprar um bom produto, e por isso, é importante os detalhes como as propriedades e a origem.


Processo de produção
A empreendedora revela que no início foi muito difícil encontrar o coco no mercado local sobretudo devido aos cuidados na sua plantação. “Fui até à Pambala, província do Bengo, onde conheci pessoas que produzem coco em pequena escala e comecei a adquirir para dar início ao processo de produção”, disse.
Sublinha ainda que compra por mês quatro sacos de 50 quilos, sendo que em um saco pode sair dois a três litros dependendo do tamanho.
“Já há muita procura e tenho recebido muitas solicitações para entrega até porque há muitas pessoas que ainda não conhecem os benefícios, nem
onde encontrar ”, disse.
Afirmou que o seu produto é comercializado em ginásios, centros desportivos, sendo que a grande preocupação são os frascos que recicla enquanto outros encomenda a partir de Portugal.
Para Tânia Sebastião muitas pessoas acham que o azeite é o melhor óleo mas não, pois ele é apenas usado para a finalização uma vez que quando vai ao fogo perde as suas propriedades ao contrário do óleo de coco que mantém a originalidade.
“Ainda não há muito rendimento, pois estamos numa fase de divulgação do produto porque a visão do projecto é de curto médio e longo prazo”, considera, acrescentando que os preços variam entre 21.500 kz (litro), 2.500, 3.500, 7.000 e 10.000, respectivamente. Disse que um saco de 50 quilos de coco chega a custar 35 mil kwanzas incluindo o transporte e descarga.

Investimento
Revelou que precisa de investimento de 55 milhões de kwanzas a curto prazo e a longo cerca de três milhões de dólares que inclui a construção da fábrica, aquisição das máquinas dando assim início à produção industrial uma vez que a forma artesanal leva mais tempo a produzir.
“Já fiz o estudo de viabilidade com o objectivo de encaminhar o projecto e constar também da Linha de Crédito de Apoio ao Empreendedor Jovem (Projovem) que visa financiar projectos para jovens empreendedores.
Por essa razão, espera que também venha a ser contemplada e dar seguimento ao projecto uma vez que tem encontrado muitas dificuldades sobretudo com os frascos.
Além disso, a jovem empreendedora dedica-se à realização de workshops e conferências no âmbito do fomento ao empreendedorismo local. “Costumo dizer que se hoje as pessoas dizem que as coisas estão muito difíceis amanhã poderão estar mais difíceis ainda”, afirmou.
Segundo apurou o JE, o óleo é usado há milhares de anos por povos de todo o mundo como alimento e medicamento. Entre esses países destacam-se a Índia, Panamá, Filipinas, Indonésia, Nova Guiné, Samoa, Jamaica, grande parte da América do Sul, Nigéria e Tailândia.