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Economia em lenta recuperação mas com novos alicerces

Apesar de o cenário microeconómico mostrar-se ainda desfavorável ao investimento o sector já começa a dar os primeiros sinais de retoma com as reformas actuais

O ambiente microeconómico nacional, nesse primeiro ano da administração de João Louremço, apesar de registar alguns avanços significativos do ponto de vista de organização empresarial, ainda continua instável no que se refere a mobilidade dos fluxos económicos em função da escassez de divisas no mercado.
O apelo que a Associação dos Empresários Angolanos tem vindo a fazer ao longo dos últimos 12 meses, mostra claramente que o sector empresarial  privado atravessa dificuldades para a materialização dos seus objectivos, principalmente as do sector produtivo.
Com vista a contornar a situação, em Janeiro do ano em curso, o Ministério da Economia e Planeamento divulgou uma proposta de implementação de um novo modelo de afectação de divisas para a importação do sector produtivo.
A proposta trazia uma série de medidas e recomendações com vista a tornar o processo de importação de bens e de matéria-prima menos oneroso e melhor planificado. O documento sustenta que as empresas do sector produtivo passariam a programar e comunicar as suas necessidades de divisas para a importação de bens ao Ministério da Economia.
Em função disso, e para tornar concreto o plano, o Ministério do Comércio adoptou, para pedidos de bens de consumo, uma avaliação da pertinência do seu licenciamento tendo em conta os níveis de produção nacional.
Esta medida, apesar de ter registado alguns constrangimentos na sua fase inicial de execução, trouxe melhorias significativas no processo de importações de bens, repercurtindo na diminuição dos preços dos bens no mercado, nos primeiros seis meses do ano, principalmente nos produtos que compoem o cabaz.
Assim, no primeiro ano de governação do Executivo de João Lourenço, o balanço pode ser considerado positivo, começando pelo apelo na transparência da gestão da coisa pública e no processo de admissão dos funcionários públicos, por via de concursos.
Apesar de muitas empresas mostrarem ainda alguns sinais de fraca recuperação, muitas outras já começam a adaptar-se aos novos ventos dos mercados com a contratação de novo pessoal e o aumento da produtividade e de serviços.
A realização exitosa da 34ª edição da Feira Internacional de Luanda em Julho último, onde marcaram presença mais de 35o expositores entre estrangeiros e nacionais, é uma manifestação do alinhamento do mercado interno em relação ao resto do mundo.
No evento , apesar de os expositores terem-se mostrado cépticos com o actual ambiente empresarial, acreditam num futuro promissor nos próximos meses, em função das reformas que estão a ser feitas pelo Executivo em diversos sectores da economia.

Nova lei do investimento

A nova lei do investimento privado, aprovado recentemente em Angola, foi uma das reformas mais notáveis no mercado primeiro ano de governação de João Lourenço.
O novo diploma, além de liberalizar o investimento privado no país, sem montantes mínimos ou a obrigação de um sócio angolano foi uma mais valia para o sector empresarial privado, sobretudo os investidores estrangeiros.
Apesar de alguns críticos sustentarem, que o diploma ainda não esteja a funcionar na sua plenitude, em função de existirem ainda alguns embaraços na sua aplicação, o cenário já começa a mudar, em função de aberturas de concursos públicos que estão a ser feitos nos sectores dos petróleos, telecomunicações e nos diamantes.
A nova lei vem acabar igualmente com os monopólios e oligopólios comerciais e vai priorizar nove sectores-chave da economia.