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Diplomacia económica é o “Às de trunfo

A aposta na diplomacia económica assume-se como sendo a principal “bandeira” do Executivo angolano, na corrida ao investimento estrangeiro com o foco na diversificação da economia.

A aposta na diplomacia económica assume-se como sendo a principal “bandeira” do Executivo angolano, na corrida ao investimento estrangeiro com o foco na diversificação da economia.
É com este espírito que os vários representantes de Angola no exterior encaram o desafio no sentido de inverter o actual cenário de crise económica nacional.
Segundo o embaixador de Angola na Argentina, Hermínio Escórcio, é fundamental avaliar tudo que se pretende com a diplomacia económica “e depois agir-se em função dos pressupostos que se impõem, no sentido de dar-se um salto qualitativo.
O embaixador prestou estas declarações em Luanda, à margem de um encontro promovido pelo Ministério do Turismo que reuniu embaixadores extraordinários e plenipotenciários de Angola e chefes de missões diplomáticas.

Atrair gigantes económicos
Neste particular, realçou que a captação de investimentos passa em atrair os grandes “magnatas” e grupos económicos para que possam financiar projectos locais a fim de responder as expectativas mundiais.
Em entrevista ao JE, defende a necessidade de o país avaliar as taxas de juro no que toca à busca de financiamentos. “O país precisa de dinheiro para sair do buraco, mas estes créditos devem ser mais baratos”.
O diplomata defende que o foco da economia angolana deve ser o aumento da produção, sem a qual o país não será viável.
Hermínio Escórcio frisou que a Argentina é uma economia voltada para a agro-indústria e pecuária, cuja experiência pode ser uma mais-valia para o nosso mercado.
De acordo com o embaixador de Angola nos Emirates Arabes Unidos, José de Lemos, há interesse por parte dos países que faz cobertura com destaque para o Qatar, Arábia Saudita e o Kuwait, em participar no crescimento da economia angolana.
“Recentemente, assinamos alguns acordos com estes estados com foco na dupla tributação e a protecção do investimento”, assegurou.
No que toca à promoção do país no exterior, adiantou que foi criada uma equipa multisectorial que traçou algumas estratégias que em breve darão os seus resultados.
Fez saber ainda que as atenções estão também voltadas para a Expo-2020 que se realizará no Dubai, no qual há uma expectativa enorme da presença de Angola neste evento.

Diálogos comerciais
Por sua vez, o embaixador de Angola nos Estados Unidos da América, Agostinho Tavares, realçou que, no âmbito das celebrações dos 25 anos das relações diplomáticas entre os dois países, serão realizados alguns diálogos nos domínios do comércio, energia, saúde e direitos humanos.
Quanto à captação de investimento, explicou ser do conhecimento das autoridades empresariais dos EUA as refomas económicas que Angola está a fazer de modo a melhorar o ambiente de negócios.
“Foi aprovada uma nova Lei de Investimento Privado com melhores incentivos ao investimento estrangeiro, com menos burocracia e garantias para que o empresário possa repatriar os
seus capitais”, reiterou.
Agostinho Tavares apontou o African Growth and Opportunity (Agoa) que permite os países africanos exportarem os seus produtos para os EUA sem impostos aduaneiro, como uma das oportunidades que deve ser aproveitada neste momento.
Por outro lado, o Executivo pretende captar parceiros internacionais que podem rapidamente ajudar o país a produzir internamente aquilo que importa.
A ideia é permitir que as divisas utilizadas na importação de alimentos sejam usadas para outras áreas estratégicas.