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Crédito à economia nacional mantém foco na diversificação

O crédito à economia deverá, nos próximos anos, estar de acordo com as necessidades dos agentes económicos, com foco na diversificação, na redução drástica das importações e aposta nas exportações.

O crédito à economia deverá, nos próximos anos, estar de acordo com as necessidades dos agentes económicos, com foco na diversificação, na redução drástica das importações e aposta nas exportações. Estas premissas adoptadas pelo Executivo visam dar resposta à estratégia de fomento da actividade produtiva e relançamento da actividade económica pretendida pelo novo Governo.
De acordo com o Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, no acto de tomada de posse, a actuação governativa estará centrada para o crédito e no investimento estrangeiro, para os sectores da indústria, agro-pecuária, pescas, turismo, transportes, imobiliárias e outros de relevante importância para a economia, com a devida transparência e celeridade de modo a dar credibilidade ao processo.

Industrialização
Para o efeito, garantiu o Chefe de Estado, a aposta recai também para a electrificação e industrialização no país, devendo ser melhorado o quadro da produção e distribuição de energia eléctrica e água canalizada no país, que permitirá uma maior e séria aposta na criação e pólos industriais pelo país. Presidente da República garantiu, durante o acto de posse, que nos próximos cinco anos o Executivo vai procurar fixar a taxa de inflação em limites aceitáveis e controláveis.
Para o alcance de tal meta, João Lourenço advertiu que adoptará políticas que obriguem à imposição de regras rígidas de política cambial e fiscal.
Apostará no reforço dos sistemas de controlo de actos ilícitos que possam descredibilizar o sector financeiro e bancário, internamente e no exterior do país.
O Chefe de Estado disse que vai focar também as atenções nas medidas que fomentem o acompanhamento, supervisão e fomento das actividades sectoriais e eliminar as barreiras administrativas que não agreguem valor ao processo de crescimento e desenvolvimento da economia.
Disse ser pretensão aumentar a eficiência e eficácia do aparelho de governação, focando a acção na redução da burocracia e no acompanhamento das iniciativas do estado, iniciando um processo de revisão dos programas de investimento público, dando suporte aos agentes privados que possam gerir projectos de forma mais eficaz e eficiente.

Reforma na administração
A reforma da administração pública, com a promoção de uma política que permita o aumento da eficácia dos serviços entre outros parâmetros, deverá nortear as nomeações dos futuros governantes, disse o novo Chefe de Estado angolano.
No seu primeiro discurso, após a investidura na terça-feira (26), na Praça da República, em Luanda, o Chefe de Estado angolano informou que a estrutura do Executivo será reduzida, de modo a garantir a sua funcionalidade, sem dispersão de meios, evitando o “esbanjamento e o desperdício de recursos que são cada vez mais escassos”.
João Lourenço disse pretender que a reforma da administração pública esteja centrada na simplificação de procedimentos e na valorização do capital humano, de modo a reter os melhores quadros, através de uma política virada para os domínios da formação, motivação, remuneração e carreiras dos agentes e funcionários públicos.
O Chefe de Estado revelou que parâmetros como a promoção de políticas que permitam o aumento da eficácia dos serviços, o mérito, profissionalismo, transparência, rigor e serviço público deverão guiar essa reforma.
Argumentou que é dever dos servidores públicos a resolução dos problemas e necessidades dos cidadãos que recorrem aos seus serviços.
Acrescentou que a justiça desempenha um papel central no resgate do sentimento de confiança nas instituições do Estado.
A reforma da justiça, iniciada há pouco tempo, precisa de um novo impulso, de modo a serem concluídos os vários códigos que estão a ser apreciados e aprovadas medidas administrativas e operativas, para diminuir o elevado número de processos pendentes.
“Vamos atribuir a devida dignidade ao poder judicial, cuja importância para o processo de democratização do
país é indiscutível”, disse.
Sobre o poder local, adiantou que o país possui uma grande extensão territorial e os problemas das pessoas, das famílias, comunidades e empresas não podem ficar, apenas, a espera de decisões que tomadas na capital, muitas vezes descurando as especificidades de cada região.
“Por esta razão, no decorrer deste mandato, serão implementadas as autarquias, de modo gradual, reforçando e aprofundando a autonomia e o controlo local sobre a execução de políticas públicas”, afirmou.
Para o Presidente a adopção de práticas correctas, seja no exercício público como no âmbito da sociedade, vai exigir das famílias, escolas, igrejas e demais organizações da sociedade civil, o reforço dos valores morais, coesão social e do patriotismo.
Noutra vertente voltada para a diplomacia, João Lourenço disse que vai continuar a primar por uma política de não ingerência nos assuntos internos de outros países, mas apostará na reciprocidade de tratamento, com prioridade para os países vizinhos.
João Lourenço assume os destinos da nação num cenário macroeconómico adverso, que tem como desafios prementes a recuperação e diversificação da economia, bem como a manutenção da estabilidade política.