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Brics cria medidas preventivas eficazes

Os líderes dos cinco países deixaram claro que os conflitos geopolíticos afectam o desenvolvimento dos mercados

Os líderes dos países emergentes Brics ( Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) ressaltaram, recentemente, na África do Sul, na última cimeira, a importância de uma economia mundial aberta que permita a todos os países e a todos os povos uma compartilha dos benefícios de forma global e sem prejuízo para a chamada mundialização da economia.
Por outro lado, os líderes dos cinco países deixaram claro que os conflitos geopolíticos e a escalada mundial do protecionismo e do unilateralismo afectam directamente o desenvolvimento dos mercados emergentes e dos mercados em desenvolvimento, onde se enquadrada Angola.
Para eles, é necessário que os Brics fortaleçam ainda mais a sua associação estratégica para fazer da próxima década um verdadeiro sucesso para os cinco países do bloco e permitir que outros que queiram entrar possa ter conforto sufiente para crescer no seio daquela comunidade.
Na cimeira da África do Sul, o Presidente russo, Vladmir Putin, reafirmou o seu total apoiou aos Brics e disse que este bloco desempenham um papel único na economia mundial, que não pode ser descartado.

Peso dos Brics
Por exemplo, em 2017, o comércio entre os Brics teve um aumento de 30 por cento e contribuem com 42 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, percentual com tendência continua de crescimento anual, facto que faz crer que a economia dos cinco países, sem medidas eficazes, pode ver o seu crescimento comprometido por estarem nele duas economias fortes, que sofrem directamente as consequências da guerra comercial dos Estados Unidos da América, nomeadamente a China e Brasil, que são parceiros estratégicos dos EUA .

Medidas adoptadas
De acordo com as conclusões saidas do encontro dos lideres desta cimeira, o Brics não considera as guerras comerciais como um grande problema. A declaração de Joanesburgo contém 102 pontos e apenas quatro são dedicadas ao comércio internacional, sem mencionar os EUA ou Donald Trump. Mas é de notar que todas as controvérsias comerciais devem ser resolvidas apenas através da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Apesar de a China e a Rússia estarem entre os países mais atingidos pelas acções da administração Trump, e com novas tarifas contra Pequim e Moscou, que avizinham, estes países preparam também novas sanções como retaliação, sen do que o grande problema da comunidade mundial é a luta contra a ordem mundial unilateral. Para tal, os países dos Brics são responsáveis pela formação de uma posição comum e por um posicionamento conjunto contra a ordem mundial unilateral.
Através desta iniciativas concretas, o Brics quer apenas reagir de forma positiva ao unilateralismo e ao protecionismo, sem se deixar paralisar diante dos actuais obstáculos. Ao contrário do que se pode supor, o actual momento, apesar dos obstáculos da conjuntura internacional, é uma grande oportunidade para os Brics mostrar o seu compromisso com a construção de um destino comum.

OMC preocupada com
a recuperação global

A Organização Mundial de Comércio (OMC) está preocupada com a escalada na disputa comercial entre Estados Unidos da América e China, que para ela, pode prejudicar fortemente a recuperação económica global e colocar em risco a manuntenção e criação de novos empregos em todo mundo, a alerta recente é do director-geral daquela organização das Nações Unidas, Roberto Azevêdo.
De acordo com as previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, é quase impossível mapear correctamente os efeitos desta guerra comercial, mas revelam que as consequências serão claramente muito sérias, pois põem em causa o desempenho da economia global com as crescentes tensões comerciais e a possibilidade de uma sequência de medidas unilaterais e de represálias, que geram incerteza para o comércio e o crescimento mundial.
A disputa começou no mês passado, quando Washington anunciou a decisão de impor tarifas sobre as importações de aço e alumínio. A decisão recebeu duras respostas da China e da União Europeia. Contudo, os EUA foram além e anunciaram um pacote de taxas sobre produtos chineses de 50 mil milhões de dólares.

Reclamação em bloco
A União Europeia (UE) e diversos países, como China, Brasil, México, Canadá e Índia, alertaram que a decisão dos EUA pode provocar um efeito dominó e pedem que o governo norte-americano reveja a taxação.
À luz dos recentes anúncios sobre medidas de política comercial, é claro que agora há um risco muito maior e real de desencadear uma escalada de barreiras comerciais em todo o mundo, alerta a OMC, facto que levou cerca de 41 países a apresentarem uma reclamação colectiva contra os EUA.
A OMC é uma organização criada com o objectivo de supervisionar e liberalizar o comércio internacional, que surgiu oficialmente no 01 de janeiro de 1995, com o Acordo de Marraquexe, em substituição ao Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT), que começara em 1947.
A organização lida com a regulamentação do comércio entre os seus países-membros e fornece uma estrutura para negociação e formalização de acordos comerciais e um processo de resolução de conflitos que visa reforçar a adesão dos participantes aos acordos da OMC, que são assinados pelos representantes dos governos dos Estados-membros e ratificados pelos parlamentos nacionais.
A maior parte das questões em que a OMC se concentra são provenientes de negociações comerciais anteriores, especialmente a partir da Rodada Uruguai (1986-1994). A rodada de negociações actualmente em curso - a primeira - é a Rodada Doha. Os EUA estão a ser acusados de violarem as funções da organização, por não aceitarem os acordos que compõem o sistema multilateral de comércio, firmar acordos internacionais e adoptar os acordos e implementação destes acordos pelos membros da organização.