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BNA repete leilões

O Banco Nacional de Angola (BNA) entrou para a fase de estabilização cambial do mercado interbancário, com a retomada da venda diária de divisas, em resultado da reduzida pressão que regista ultimamente na procura da moeda estrangeira por parte da banca comercial, depois das medidas que introduziu e que geram uma maior previsibilidade no sistema de câmbio e uma melhor comunicação com a banca.

O Banco Nacional de Angola (BNA) entrou para a fase de estabilização cambial do mercado interbancário, com a retomada da venda diária de divisas, em resultado da reduzida pressão que regista ultimamente na procura da moeda estrangeira por parte da banca comercial, depois das medidas que introduziu e que geram uma maior previsibilidade no sistema de câmbio e uma melhor comunicação com a banca.
Durante o mês de Novembro, o banco central angolano vendeu no mercado primário, todos os dias, uma média de 50,835 milhões de dólares, por via de leilões de preço (venda de divisas) e de quantidade (plafonds para cartas de crédito) para todas as finalidades. Para o mês de Dezembro, o BNA disponibiliza, para venda directa e diária aos bancos comerciais, o equivalente a 1,2 mil milhões de dólares.
Segunda e terça-feira foram já leiloados 75 milhões de dólares, 5o milhões ao câmbio médio variado de 311,029 kwanzas o dólar (segunda-feira), e o resto a uma taxa futura. Nos dois últimos meses, o BNA vendeu aos bancos comerciais um total de 1,81 mil milhões de dólares. Desde Janeiro, o banco central vendeu o montante de 11,29 mil milhões de dólares, valor superior em 5,05 por cento em relação ao mesmo período do ano passado, quando se contabilizou 10,75 mil milhões de dólares.
Segundo o Comité de Política Monetária (CPM) do BNA, em Setembro e Outubro a conta de bens foi superavitária em 4,61 mil milhões de dólares, o que representou um aumento de 15,09 por cento face ao período homólogo de 2017, justificado, essencialmente, pelo aumento do valor das exportações em 15,16 por cento.
As Reservas Internacionais Brutas (RIB) situaram-se em 16,20 mil milhões de dólares, contra os 17,09 mil milhões registados em Agosto de 2018. Em termos acumulados, as Reservas Internacionais Brutas registaram uma redução de 11,13 por cento, o que corresponde a um grau de cobertura de importações de bens e serviços de 6,6 meses, contra os 6,86 meses de Setembro, altura em que as RIB estavam em 16,468 mil milhões de dólares.
O banco central continua a reiterar a necessidade de as instituições financeiras verificarem, rigorosamente, a legitimidade e conformidade das operações cambiais que processam, considerando a legislação e regulamentação cambial e de prevenção e combate ao branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo, de forma a proteger as Reservas Internacionais do país e as suas relações com o sistema financeiro internacional.
O administrador do BNA, Pedro Castro e Silva, disse há dias que “a pressão sobre as divisas no país terminou” e que a instituição ia manter o curso de actuação da política cambial até Dezembro, já que “aquilo que tínhamos de fazer no âmbito do Programa de Estabilidade Macroeconómica, que era uma maior liberalização da taxa de câmbio, já fizemos”, “esta tarefa está cumprida e já não temos mais nenhum ajustamento a fazer”.
“As medidas tomadas geraram previsibilidade e uma maior comunicação com os bancos comerciais, o que acabou por gerar um efeito positivo. Os bancos hoje sabem que, se não comprarem segunda-feira, têm mais quatro sessões de leilões do BNA. Esta pressão sobre as nossas divisas terminou e o facto de o BNA estar a atender justamente àquilo que os bancos estão a procurar, tem contribuído para que a taxa de câmbio se encontre mais estável”, sublinhou.
Após um período de maior intervenção, com o mercado cambial melhor regulamentado, e havendo agora maior regularidade na oferta de moeda estrangeira, o BNA entende que estão criadas as condições para se devolver aos bancos comerciais a autonomia na alocação de moeda estrangeira aos seus clientes. Por isso, desde 1 de Outubro o banco central angolano deixou de proceder vendas directas de divisas e as solicitações de compra de moeda estrangeira voltaram a ser unicamente apresentadas às instituições financeiras autorizadas a exercer o comércio de câmbios.