Capa

As metas do trâfego na SADC

Angola cumpre apenas 19 por cento da meta da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), no âmbito do Programa Tripartido de Facilitação de Transporte e Trânsito (TTTFP), declarou o administrador executivo (CEO)da Acelera Angola, José Santos.

Angola cumpre apenas 19 por cento da meta da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), no âmbito do Programa Tripartido de Facilitação de Transporte e Trânsito (TTTFP), declarou o administrador executivo (CEO)da Acelera Angola, José Santos.
Essas metas, estabelecidas no âmbito do corredor económico da SADC, visam a proliferação do tráfego de pessoas, bens e serviços nesta região do continente africano.
O responsável acredita, que com os programas que a sua empresa desenvolve a nível do sector dos transportes, pode-se atingir até 50 por cento, em conformidade com as medidas do Executivo.
Segundo estimou, existiam em 2015, um total de 415 mil carros a circular em Luanda e a previsão para até 2030 é de um milhão 800 veículos.“O que significa um aumento de 400 por cento dos veículos e 14,4 milhões de viagens adicionais por dia, o que pode representar um caos olhando para as infra-estruturas”, ressaltou.
José Santos disse que o problema da mobilidade não está apenas nas estradas, mas também no nível de conhecimento das pessoas.
Considera, igualmente, que um dos grandes desafios é a aposta em novas tecnologias, que muito podem ajudar o Executivo e os provedores de serviços no sector.
José Santos sublinhou que as políticas devem ser traçadas com o suporte dos operadores, académicos e os utentes, acrescentando que a Acelera Angola defende a reivenção das leis da mobilidade, através de inqueritos abrangentes de como as pessoas encaram os transportes.
O especialista realçou ser importante ter em conta os micro-operadores de transportes, como os “moto-táxis”, e incluí-los no sistema de mobilidade urbana.


Aposta em software
A “Kubinga” é um aplicativo móvel que visa suprir as necessidades de transporte decorrentes de um sistema de mobilidade urbana débil, interligando, de forma directa, passageiros e motoristas.
A aplicação foi desenhada para tornar o acesso fácil, rápido e fiável em que o utente faz o “download”, regista-se, de seguida escolhe o seu destino, recebe informação sobre o motorista, a rota a percorrer e o custo da viagem.
Até 2018, o aplicativo registou mais de 15.000 corridas, 8.800 “downloads”, 1.200 utilizadores activos, e mais de 60 motoristas.
Segundo o mentor do projecto, Emerson Paim, a iniciativa visa promover o crescimento do sector dos transportes, dando resposta aos constrangimentos inerentes à mobilidade urbana e ao desemprego por intermédio das tecnologias de informação.
Dados que o JE teve acesso indicam que a Kubinga prevê alcançar em média 750
corridas diárias, este ano. Para tal, está focada na aposta na inovação e desenvolvimento de serviços adaptados à procura de um universo de 4,5 milhões de angolanos que utilizam os dados móveis para aceder à internet.

Mobilidade em África
Em África muitos são os países que estão focados na resolução dos problemas da mobilidade urbana, com destaque para a África do Sul, Tanzânia, Etíopia, Quénia, Ruanda, Nigéria e Gana.
A Gautrain, na África do Sul, é uma rede de comboios rápidos, de 80 km, que liga Joanesburgo e Pretória com o Aeroporto Internacional OR Tambo, facilitando o trânsito das auto-estradas Joburg-Pretória, proporcionando, a quem viaja diariamente, uma alternativa segura e viável em vez da viagens de carro.
A Nigéria está a implementar, na cidade de Lagos, a segunda fase do Sistema de Trânsito Rápido (BRT), que deve ligar a capital e Ikorodu.
Ruanda está a proceder a actualização dos autocarros que dipõe em Kigali, de modo a garantir maior fluidez do trânsito naquela que se tornou numa das cidades mais modernas e seguras do continente.
A cidade de Acra possui 245 outocarros conectados e em operação em faixas exclusivas. Com 245 autocarros conectados em faixas exclusivas, já vai na fase de expansão do sistema BRT.
Além de 245 autocarros disponíveis, o sistema BRT envolve um modelo electrónico de venda de bilhetes, sem uso de dinheiro, e oficinas modernas para serviço e manutenção de todos os veículos.
A aposta passa também no treinamento de 600 motoristas de autocarros e conselhos e suporte para iniciar actividades e colocar o sistema BRT em funcionamento.