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Armadores exigem mais apoio ministerial

Os representantes das Associações de Armadores de Pesca do país reclamam da falta de meios para exercer a actividade.
Apesar de sentirem a boa vontade do Ministério das Pescas e do Mar, ainda assim apelam ao Governo para que invista mais na compra de material que possa ajudar a fomentar a actividade de pesca.

Os representantes das Associações de Armadores de Pesca do país reclamam da falta de meios para exercer a actividade.
Apesar de sentirem a boa vontade do Ministério das Pescas e do Mar, ainda assim apelam ao Governo para que invista mais na compra de material que possa ajudar a fomentar a actividade de pesca.
Ouvidos pelo JE, à margem de um encontro, realizado em Luanda, pelo Ministério das Pescas e do Mar, os representantes das Associações de Pescadores de Luanda, Namibe e Cuanza Sul, destacaram que se deve também encontrar fórmulas para a gestão das espécies.
Por outro lado, os armadores aplaudiram os resultados da reunião com a titular da pasta, mas, como reforçaram, precisam de mais acções com vista a se registar um crescimento nas quotas de pesca.
Com preocupação, destacaram o mau estado das embarcações e os arrastões, como sendo um dos problemas que os pescadores enfrentam e reclamam da falta de fiscalização para combater esse mal.
Os armadores exigem ainda que empresas como a Enatip acertem com o governo, estratégias para importação do material necessário visando satisfazer as necessidades gerais dos pescadores “evitando ilhas”.
Quanto a veda da quota de peixe carapau é uma realidade que voltará a acontecer em 2018, por isso solicitam uma abertura para a importação do carapau para satisfazer a demanda.

Estratégia de apoio

No quadro da sua política para o sector, o Executivo angolano preconiza como objectivos gerais, a promoção da competitividade e o desenvolvimento da pesca de modo sustentável.
Para isso, será necessária a aposta na capacitação técnica bem como o apoio aos armadores.
Em Angola, o sector das pescas tem jogado um papel importante, com particular incidência na segurança alimentar e na geração de emprego especialmente a partir da actividade da pesca artesanal e da pesca semi-industrial.
Para a efectivação destes objectivos, o Ministério das Pescas e do Mar tem criado parcerias estratégicas com Governos e outras instituições estrangeiras. São os casos da Noruega e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), cujos resultados da cooperação, mostram de forma positiva o aumento da produção assim como o combate à pesca ilegal.

Reacções
Armadores exigem  mais apoio ministerial

Luanda

O presidente da Associação dos Pescadores de Luanda, Manuel António de Oliveira, disse que a falta de meios, como equipamentos de pesca (comunicação, electrónicos) para a verificação e captura das espécies tem estado a dificultar a actividade pesqueira.
“Temos esse problema que tem contribuído negativamente na nossa actividade, o que, como sabe está a trazer consequências nos níveis de captura. Esta situação provoca uma elevada procura, sendo que por isso, não conseguimos satisfazer a procura”, revelou.


Luanda

Para o armador Fernando Jorge, ligado a Associação de pescadores de Luanda, os níveis de capturas mantêm-se inalteráveis, se comparados com os anos anteriores.
Ainda assim, mostrou-se preocupado com a falta de infra-estruturas para armazenar e conservar o produto.
Informou que, em média são capturadas uma a cinco toneladas por dia, com maior incidência para a sardinha.
“O peixe sardinha é a espécie que mais se captura actualmente e tem despertado interesse para os restaurantes, sendo já uma grande referência para o consumo de muitas pessoas”, informou.

Namibe

O representante da Associação dos Pescadores do Namibe, Mário Faria, revelou que as capturas a nível local rondavam cerca de 80 mil toneladas/ano, actualmente os indicadores apontam para uma diminuição considerável.
As razões, revelou, prendem-se com as várias transgressões por parte das embarcações de grande porte bem como à pesca de cerco.

Cuanza-Sul

Por seu turno, o presidente da Associação dos Pescadores do Cuanza Sul, Bernardo Mateus, disse que a actividade tem diminuído consideravelmente por falta de meios.
Actualmente, salientou, a principal espécie capturada a nível daquela parcela do território nacional é a sardinha, que corresponde cerca de metade do total capturado.
“Esperamos que o Governo, entre as suas prioridades, possa pontenciar mais o sector das Pescas, a fim de melhorar a actividade”, apela.