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Aquicultura longe de satisfazer necessidades do mercado nacional

O país continua sem capacidade para a produção do tilápia (cacusso) e bagre, para atender às necessidades do consumo interno.

O país continua sem capacidade para a produção do tilápia (cacusso) e bagre, para atender às necessidades do consumo interno.
Durante o primeiro encontro Nacional de Auscultação sobre Aquicultura, o director Nacional, António da Silva, explicou que o país precisa de três mil toneladas de tilápia, para satisfazer a procura, contra as actuais 1.003 toneladas capturadas de Janeiro a Outubro do corrente ano.
De acordo com António da Silva, a falta de divisas para importar a ração destinada a engorda do peixe, continua a ser o principal impasse
para se atingir a meta.
Segundo explicou, para se obter uma tonelada de peixe para o consumo humano, é necessário até uma tonelada e meia de ração, em três meses.

Indicadores de produção

Em 2013, o país produziu 47 toneladas de cacusso, sendo que no ano seguinte (2014), os indicadores triplicarem para 305 toneladas ano.
Em 2015 a produção colocou no mercado um total de 872 toneladas.
Dada a dificuldade na obtenção das divisas para importar a ração em 2016, os níveis de produção do peixe desceram para 655 toneladas.
De Janeiro a Outubro do corrente ano, o país já produziu 1.003 toneladas, indicador que está a devolver esperança aos operadores do sector.

Fomentar o cultivo

Por sua vez, o director provincial das Pescas e do Mar, na província do Bengo, Faustino Gonga, fez saber que a região conta com sete projectos de aquicultura e duas cooperativas, que exploram 474 tanques, onde são produzidas 11,7 toneladas de peixe por ano.
Já o director provincial das Pescas e do Mar do Cuanza Sul, Adão Pereira, sublinhou que a província conta com 180 aquicultores, distribuídos
nos 12 municípios.
Em 2016, contou, a província do Cuanza Sul produziu 211 toneladas de tilápia e 26 de alevinos.
Segundo afirmou, a falta de ração reduziu os níveis de produção para 21 toneladas.
Para garantir a captura, a província conta com um total de 175 gaiolas flutuantes, destinadas para a criação do peixe.
Em representação da província do Uíge, Nsuka Ndongala, explicou que, a região produziu 742 toneladas de peixe em 12 municípios, dos
16 que compõem a província.
Segundo o delegado provincial da Pesca Continental do Uíge, a província conta com 55 projectos de cultivo de peixe que deram lugar a 210 tanques de peixe.
A região dispõe de um total de 45 rios navegáveis e 75 lagoas, que podem ser aproveitados para aumentar os níveis de produção do peixe.
Quanto a Lunda Norte, os dados indicam que a região conta com 32 projectos que deram lugar a 166 viveiros, que empregam 369 famílias, responsáveis pela produção de 39,7 toneladas de tilápia.
A província da Lunda Sul, conta com 30 projectos que empregam 230 famílias, disse Carlos Fazenda.
Na província do Moxico, os níveis de produção atingiram as 99 toneladas. Um indicador acima da média, em relação a província de Benguela,
que continua a produzir 22,8.
O Cuanza Norte produz 43 toneladas, em três municípios.

Mitigação

Para mitigar a actual situação, a Ministra das Pescas e do Mar, Victória de Barros Neto, convocou o primeiro encontro Nacional, com o objectivo de se estabelecer estratégias que visam o aumento significativo da produção de pescado, tendo como referência a China, Índia, Vietname, Bangladesh e Egipto, que aparecem como os principais produtores.
Para a ministra, o aumento dos níveis de produção passam, sobretudo, pelo fomento da produção interna de ração, investigação científica, formação de quadros e no incentivo ao investimento privado.
Por outro lado, Victória de Barros Neto garantiu que, o Ministério vai se engajar também para fomentar e desenvolver uma “aquicultura competitiva, económica e socialmente eficiente”, que se traduzirá numa melhoria para a geração de emprego e de renda para milhares de cidadãos.