Capa

Angola cria bases para liderar o “sonho africano”

As necessidades anuais de finaciamento de África são estimadas entre 130 e 170 mil milhões de dólares/ano. Sobre esses valores pesam ainda uma enorme dívida dos estados fixadas em mais de 870 mil milhões de dólares.

As necessidades anuais de finaciamento de África são estimadas entre 130 e 170 mil milhões de dólares/ano. Sobre esses valores pesam ainda uma enorme dívida dos estados fixadas em mais de 870 mil milhões de dólares.
Embora reconheça as várias barreiras do crescimento de África, Angola alinha as suas bases para garantir que a concretização do seu Plano de Desenvolvimento Nacional até 2022 represente a retoma do sonho africano.
Para tal, o recurso ao financiamento interno e externo são premissas tidas como indispensáveis para que todas as perspectivas sejam alcançáveis.
Espera-se que o esforço de financiamento público seja complementado com financiamento privado, de modo a captar pelo menos um montante adicional médio anual de 6.878 mil milhões de kwanzas. O PDN constitui também a referência para o envolvimento dos parceiros no desenvolvimento de Angola, através da sua contribuição para o financiamento de projectos e actividades inseridas nos vários programas de acção.
As projecções efectuadas apontam para que, entre 2018 e 2022, a economia angolana cresça a uma taxa média de 3 por cento, em termos reais, com uma aceleração do sector não petrolífero e a estabilização do produto petrolífero. Neste cenário, os principais motores do crescimento são os sectores da agricultura (taxa média de 8,9%), das pescas (taxa média de 4,7%), da indústria transformadora (taxa média de 5,9%), construção (taxa média de 3,8%) e serviços - incluindo o turismo (taxa média de 5,8%).
É ponto assente, e na perspectiva do Governo, que a progressiva recuperação do crescimento deverá traduzir-se numa aceleração gradual das diversas componentes do produto, destacando-se o investimento privado (que deverá rondar, em média, 20,7 por cento do PIB), a manutenção de um saldo externo da balança de bens e serviços bastante positivo e uma diminuição da despesa pública superior à da receita pública em termos reais, em resultado da contenção orçamental e da implementação da reforma tributária.
Dos seis eixos definidos no Plano de Desenvolvimento Nacional 2018-2022, o terceiro, que aborda as estratégias ligadas às infra-estruturas, caso dos “Transportes e Logística”; “Energia Eléctrica”; “Água e Saneamento” bem como “Comunicações”, é tido como crucial no quadro do reposicionamento continental.

Transporte e Logística
O plano estratégico ligados aos Transporte e Logística pretendem assegurar a modernização e desenvolvimento da actividade de transportes; o desenvolvimento e melhoria das infra-estruturas de transportes; a expansão do transporte público; o desenvolvimento da logística e da distribuição; a rede nacional de plataformas logísticas; o desenvolvimento e operacionalização da rede de armazenagem, distribuição e comercialização de bens alimentares.
Nesse domínio, o estratégico caminho-de-ferro de Benguela assume importância crucial, seja na atracção de investimento, seja na afirmação do corredor do Lobito como ponto de integração das economias encravadas.

Energia Eléctrica
Sobre a energia eléctrica é pretensão de Angola a expansão do acesso à energia eléctrica nas áreas urbanas, sedes de município e áreas rurais, além da consolidação e optimização do sector. Já no sector das águas, o Governo previu a expansão do seu abastecimento nas áreas urbanas, sedes de município e áreas rurais; desenvolvimento e consolidação do sector da água e melhoria do saneamento básico.
Não menos importante tem a ver com o desenvolvimento de infra-estruturas de telecomunicações e tecnologias de informação.
A construção da hidroeléctrica de Laúca é prova do compromisso do Estado com a electrificação de Angola. Mas também é um vector de captação de parcerias africanas, tal como ficou claro, recentemente, com a contratação de um financiamento de 75 milhões de dólares junto do Banco de Desenvolvimento da África do Sul.
O Aproveitamento Hidroeléctrico de Laúca, no rio Kwanza, localizado entre as províncias do Cuanza Norte e Malanje, é um investimento do Estado angolano, de 4,3 mil milhões de dólares, considerada a maior obra pública do país. Houve ainda este ano a contratação de um outro financiamento de 150 milhões de dólares também direccionados para Laúca, mas obtidos junto de parceiros europeus.