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Alves da Rocha no Fundo Soberano

O economista e Investigador sénior do Centro de Estudos e Investigação Científica (CEIC) da Universidade Católica de Angola, Manuel José Alves da Rocha, aceitou o convite de fazer parte do Conselho Fiscal do Fundo Soberano de Angola, um órgão que criticava de forma contudente.

O economista e Investigador sénior do Centro de Estudos e Investigação Científica (CEIC) da Universidade Católica de Angola, Manuel José Alves da Rocha, aceitou o convite de fazer parte do Conselho Fiscal do Fundo Soberano de Angola, um órgão que criticava de forma contudente.
A cerimónia do seu empossamento ocorreu há dias no Ministério das Finanças.
A par do também actualmente director e de Coordenador do Departamento de Estudos Económicos da UCAN, foram empossados pelo ministro das Finanças, Archer Mangueira, Mário Nascimento, na qualidade de presidente do Conselho Fiscal e como vogal Natacha Barradas.
O renomado economista é ainda professor associado da Universidade Católica de Angola, onde lecciona as Cadeiras de Finanças Públicas e Integração Económica.
É autor assíduo de artigos de opinião em alguns órgãos de comunicação social nacional e internacional e de vários livros.
Foi um dos mais críticos sobre as políticas macroeconómicas adoptadas pelo Governo angolano.
Num dos seus artigos de opinião ao Semanário “Expansão”, publicado a 14/08/2017, Alves da Rocha debruçava-se de forma crítica sobre os salários auferidos pelos administradores e membros do Conselho Fiscal do Fundo Soberano de Angola, instituição, conforme disse, dotada de muito dinheiro proveniente do Orçamento Geral do Estado (OGE) e à custa dos impostos que “os cidadãos humildes em grande dificuldade financeira pagam para esses senhores possam viver “à la francaise (ou “à la suisse”)”.
Ele dizia que cada administrador do fundo auferia mensalmente 43.600 dólares e cada membro do conselho fiscal 23.900 dólares (e parece que em moeda forte, delapindando-se as já de si frágeis reservas internacionais).
O professor questionava em que país estávamos e se o Estado tem ou não dinheiro.
“Neste momento de crise financeira e económica exige-se decoro e comprometimento com o povo, cuja maioria vive em condições sub-humanas”, referia no seu artigo.
Numa outra vertente do seu texto, fazia menção ao facto de não ter sido encontrado no programa de governação do partido no poder qualquer referência ao problema das desigualdades de remuneração existentes nas instituições do Estado e na economia no geral.

Contraditório
Contactado telefonicamente para saber das razões de ter aceite o convite para fazer parte de um órgão que acusou anteriormente de “falta decoro salarial”, escusou-se em comentar e atirando contra o jornalista. “Provalvelmente fizeram-me o convite por causa de dois artigos que escrevi sobre o Fundo Soberano. Agora não interessa porque aceitei-o”, finalizou de forma lacônica.