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Agricultura constitui nicho oportuno para a canalização de investimento

O presidente do Conselho de Administração da Agência de Promoção para o Investimento Privado (APIEX), Belarmino Van-Dúnem, disse que o Fórum Angola - Israel constitui uma verdadeira oportunidade de negócios para os dois países, dada a possibilidade dos investidores trocarem experiências nos diferentes segmentos de negócio.

De acordo com Belarmino Van-Dúnem, Angola pode aproveitar a experiência de Israel no domínio da agricultura, que cresce de forma significativa, de modo a atender as necessidades de produção interna.
Aos israelitas, Belarmino Van-Dúnem garantiu um ambiente de negócios favorável, a julgar pela revisão do código aduaneiro, as garantias da lei de investimento privado, bem como os incentivos fiscais na importação e exportação de determinados bens.
Por outro lado, lembrou aos israelitas que Angola dispõe de oportunidades de negócio na indústria produtiva, extracção, processamento e serviços. Para o responsável, quem investe em Angola ganha, igualmente, os mercados nas diferentes organizações em que se está inserido.
Questionado sobre as políticas de repatriamento de capitais, Belarmino Van-Dúnem garantiu que as empresas que investem de acordo com a legislação em vigor, não têm dificuldades em repatriar o capital à sua origem.
Apesar da conjuntura económica resultante da queda do preço do barril do petróleo no mercado internacional, disse que os investidores têm vindo a recuperar os seus investimentos.

Sector agrícola

Por sua vez, o director nacional das Florestas, Domingos Veloso, disse que, anualmente, Angola necessita entre 200 e 300 toneladas de adubo e fertilizantes, um segmento de negócio que os israelitas podem aproveitar.
Além da produção de adubos e fertilizantes, Angola dispõe, igualmente, de oportunidades de negócio em outros sectores produtivos bem como no da prestação de serviços.
Segundo aquele responsável, além da produção de adubos e fertilizantes, as oportunidades de negócio estendem-se, igualmente, na exploração e processamento da madeira.
“Estamos a falar de uma economia que precisa criar cadeias de valor de modo a responder as necessidades do seu crescimento”, disse.
Conforme disse, a cadeia de produção, escoamento e processamento também podem gerar negócios e divisas para investidores
nacionais e estrangeiros.
Lembrou ainda que 90 por cento da produção agrícola nacional é assegurada pela agricultura familiar e que o sector emprega perto de 10 milhões de angolanos.
Desde logo, constitui a principal fonte de subsistência das famílias angolanas e os esforços que estão a ser feitos visam, sobretudo, tirar o sector da esfera familiar para uma produção intensiva . Daí a necessidade da conjugação de esforços para dinamizar o sector. Produtos nacionais como milho, mandioca, soja, batata rena já estão a ombrear com os de origem estrangeira.
Apesar de ser ainda exígua, aos poucos a iniciativa empresarial ganha lugar de modo a dinamizar a produção em grande escala. Assim, para elevar os níveis de produção no sector agrário, faz-se necessário o investimento na produção interna de adubos e fertilizantes. As actuais cifras de importação atendem perto de 50 por cento da necessidade e estão estimadas em 70 e 100 mil toneladas de adubos e fertilizantes/ano.
Recentemente, o produto chegou a custar entre 20 e 30 mil kwanzas, mas actualmente são cinco mil kwanzas pelo quilograma deste in put necessário ao cultivo nos campos.

Aquicultura

Já o director nacional para a Aquicultura, António Silva, explicou aos israelitas que Angola precisa de parcerias de negócio nesse sector de modo a dinamizar a criação de determinadas espécies de peixe.
Em jeito de balanço, António da Silva fez saber que a meta do Governo angolano, até 2017, é de 20 mil toneladas de diferentes espécies de pescado.
“A meta não vai ser alcançada face ao défice que se regista na importação de ração para o processo de engorda do cacusso e bagre”, disse.
Defendeu que os israelitas podem investir neste segmento de negócio e tornar Angola autosustentável.
Actualmente, Angola conta com 59 empresas, com uma elevada capacidade de produção, mas por razões alheias à sua vontade estão a produzir cifras que vão até cinco mil unidades ano. Até a presente data, o Ministério das pescas registou perto de 100 iniciativas empresariais para o sector. Quanto à produção interna de espécies como cacusso e bagre, a província do Uíje continua a liderar.
Durante o exercício económico de 2016, por exemplo, a província produziu 282 toneladas de peixe. Seguiram-se-lhe as províncias do Cuanza Sul com 130, Malanje com 42 e Luanda com 31, respectivamente.
O responsável lembra, por outro lado, que em 2013, Angola registou 47 mil toneladas de pescado. Em 2014, as cifras desceram para 35 mil. Já em 2015, o quadro agravou-se com uma descida para as 870 toneladas e em 2016 para 655 face à dificuldade na importação da ração animal. O cacusso continua a liderar os níveis com uma cifra estimada em aproximadamente 90 por cento da produção total.