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A nova realidade para facilitar a mobilidade

O actual cenário da mobilidade na província de Luanda tem colocado em risco o modelo de transportes rodoviários regular público, do sistema colectivo urbano de passageiros.

A informação foi avançada em Luanda pelo director do Gabinete provincial dos Transportes e Mobilidade Urbana, Amadeu Campos. O respónsavel destacou que na capital angolana foram sinalizadas cerca de 170 paragens para embarque e desembarque de passageiros, de e para os transportes rodoviários.

Necessidades
Luanda precisa de uma frota operacional de 1.800 autocarros, que correspondem a 2,3 veículos para cada 10 mil habitantes, para que se melhore a mobilidade urbana em transportes rodoviários
urbanos de passageiros.
O processo passa ainda pela criação de 105 linhas de autocarros com extensão de 3.309 quilómetros (km), o aumento da velocidade comercial
média superior a 16 km/h.
Amadeu Campos apontou que estes dados resultam de vários estudos elaborados por especialistas do ramo, face à implementação do Programa de Desenvolvimento do
Governo de Luanda (PDGL).
O estudo realizado em 2015 propõe que, do ponto de vista da rede de infra-estruturas viárias, sejam efectivados mais de 398 km de vias expressas primárias, dos quais cerca de 250 km seriam novas conexões e 148 km de actualização
das estradas existentes.
A proposta indica ainda que são precisos 1.048 km de uma rede de estradas secundárias. Está igualmente prevista a construção de 759 km de novas estradas e 1.211 km de estradas terciárias, em todos os municípios da capital angolana.
O projecto inclui também a implementação de um sistema interligado de gestão de estacionamento.
Amadeu Campos frisou que as perspectivas e medidas para a mobilidade urbana são de âmbito central, mas com incidência local.Está prevista a entrada de novas operadoras no sistema de transporte público urbano de passageiros, além da construção de terminais rodoviários.

Melhorar serviços
O programa abrange a construção do novo Aeroporto Internacional, a implementação do sistema de bilheteria electrónica integrada, o transporte escolar, a gestão do projecto e monocarris.
“O actual cenário da mobilidade na província de Luanda tem colocado em risco, o modelo de transporte rodoviário regular e público colectivo urbano de passageiros (autocarros)” disse.
Para melhorar esse constrangimento está em curso um projecto que visa melhorar a comodidade dos passageiros de transporte urbano.
O referido projecto encontra-se em andamento e já estão
contabilizados 29 abrigos.
A sinalização dos pontos específicos onde os autocarros podem fazer o embarque e desembarque de passageiros, sem interferir na circulação rodoviária, garantindo, assim, maior segurança, quer para o passageiro, quer para os utentes da via pública,
é outra preocupação do Governo Provincial de Luanda.

Transporte marítimo
A abertura de novas linhas para o transporte marítimo de passageiros em catamarãs e corredores de mobilidade de natureza ferroviária, são referências que constam do projecto para a conexão e melhoria da mobilidade no país.
O projecto prevê também a abertura do corredor ferroviário de Camama, trabalhos de duplicação do troço ferroviário Bungo-Catete, ligação ferroviária Norte/Sul, uma futura ligação ferroviária ao novo Aeroporto Internacional e um terminal marítimo no município de Cacuaco.

Novos modelos de matrícula
A iniciativa permite ainda a emissão de novos modelos de matrícula para motociclos de até 50cc de cilindrada, para a província de Luanda, por cores e designação do município.
As principais alterações procedidas nesta matéria reportam-se à modificação da cor do fundo das chapas de matrícula, em consequência da obrigatoriedade de utilização
de materiais retro-reflectores.
Amadeu Campos refere que a inserção do nome do município será por cores. Na verdade, o que se prevê é a facilitação da percepção da presença dos veículos em situação de condução nocturna e de visibilidade insuficiente, contribuindo-se, dessa forma, para o aumento das condições de segurança na circulação rodoviária.
A chapa de matrícula é o dispositivo aprovado para ser afixado num veículo com o seu número de matrícula, destinado a identificação externa. Ela só pode ser atribuída aos motociclos e veículos que estejam em conformidade com as normas nacionais aplicáveis que garantam a sua circulação em condições de segurança e preservação do ambiente.

Itinerários devem definir ligações para táxis colectivos
A entrada em vigor de novos modelos de caracterização dos taxís colectivos por cores e municípios, com a designação das rotas e itinerários, através de selos autocolantes, permite, doravante, a regulação das ligações.
O projecto vai permitir que haja um maior controlo na fiscalização dos táxis colectivos licenciados,  assim como uma intervenção eficaz por parte dos efectivos reguladores de trânsito e ajudar de igual modo o cidadão a conhecer qual a rota feita por cada táxi colectivo.
Segundo o comandante da Unidade de Trânsito de Luanda, superintendente-chefe  
Roque Silva, com a aplicação das novas medidas, a pretensão é melhorar as condições de circulação e dar mais segurança ao trânsito de veículos e peões.
A iniciativa será efectivada mediante a supressão dos principais constrangimentos nos pontos de retenção de trânsito.

Programação
A primeira fase conta com um total de 10 medidas, das quais cinco já foram executadas. A segunda fase já está a ser preparada e tem como prioridade determinadas vias do município de Luanda.
Do mesmo modo, prevê-se no centro urbano da capital a implementação de uma rotunda no antigo Largo Serpa Pinto (rua Amilcar Cabral).
Terminada a aplicação de todas as medidas contidas no projecto, o Governo terá maior controlo da situação, evitando que táxis de uma determinada área realizem actividades de carga e descarga fora das suas circunscrições.
O governo prêve que 80 por cento da população de Luanda tenha acesso ao transporte público até 2030, mas, para isso, acha ser necessário o aumento de autocarros, em número superior aos actuais 213 que suportam a rede em 54 rotas.
Até 2030, espera-se um aumento de 400 por cento na frota automóvel, para melhorar a mobilidade do trânsito, em função do crescimento da população na cidade capital. AE